Abelhas também precisam aprender a dançar para se comunicar melhor
Estudos mostram que a famosa dança das abelhas não é totalmente instintiva e depende do aprendizado com operárias mais experientes para transmitir informações precisas

A dança das abelhas é uma das formas mais curiosas e eficientes de comunicação no mundo animal. Por meio de movimentos específicos, elas indicam às companheiras da colmeia onde estão as melhores fontes de alimento, informando direção, distância e até a qualidade das flores encontradas. No entanto, pesquisadores descobriram que essa habilidade não surge perfeita desde o nascimento.
Assim como acontece com os humanos, as abelhas precisam de prática e aprendizado. Durante a juventude, especialmente por volta dos oito dias de idade, as operárias mais novas observam e interagem com as dançarinas experientes, tocando suas antenas nos corpos das mais velhas. Esse contato funciona como uma verdadeira “aula”, essencial para que os movimentos sejam executados corretamente.
Quando esse período de aprendizado não acontece, os erros se tornam mais frequentes. Um passo em falso pode fazer com que uma abelha interprete de forma equivocada a mensagem e voe para um local distante do alimento real. Em experimentos, cientistas criaram colônias formadas apenas por abelhas da mesma idade, sem a presença de operárias mais velhas. Nessas condições, as jovens precisaram aprender sozinhas a dança comunicativa.
Os resultados mostraram que, no início, essas abelhas cometiam muitos erros ao indicar ângulos e distâncias. Com o tempo e a experiência, elas melhoraram significativamente e, ao atingirem cerca de 20 dias de idade, já dançavam quase tão bem quanto as abelhas criadas em colmeias normais. Ainda assim, um detalhe continuava incorreto: a distância indicada costumava ser exagerada, como se o alimento estivesse mais longe do que realmente estava.
A pesquisa reforça que a dança das abelhas não é totalmente inata. Ela é moldada, em parte, pelo aprendizado social e pela convivência com indivíduos mais experientes. No fim, todas conseguem dançar, mas aquelas que tiveram “professoras” ao longo do caminho se comunicam de forma muito mais eficiente.
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