Além dos números: Histórias de quem empreende

27 de junho: dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas; Àqueles que mantêm o país de pé.

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Por Rafael Guerra

Dia 27 junho é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o dia internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). A data instituída em 2017 reconhece a importância desses negócios na economia. Em um mundo globalizado e recheado de multinacionais, neste dia internacional das pequenas empresas é reiterado a importância de quem realmente faz o país se mover.

Segundo o painel de Abertura de Pequenas Empresas do Data Sebrae, em 2025 foram registradas no Brasil 1.792.342 novos Microempresários Individuais (MEIs), e dentro de um panorama englobando Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) o número de novas aberturas chegou a 2.384.864.

 

A principal categoria empresarial

Microempreendedores são a principal categoria empresarial do Brasil e só a categoria individual movimenta mais de R$200 bilhões todos os anos ao redor do país. A diversidade dos setores traz à tona a origem da real base econômica da nossa nação. Neste ano, até abril, segundo outro levantamento do Sebrae, o Brasil já totaliza a abertura de 2.050.548 pequenos negócios. No entanto, enquanto se fala de números, as histórias das pessoas que enfrentam as dificuldades de não apenas abrir um CNPJ, mas de mantê-lo, se entrelaçam entre vida pessoal, paixão que virou renda, família, clientes, boletos e muito mais.

Este ensaio fotográfico não busca abordar a realidade das micro empresas apenas em números, mas em histórias reais. Aprofundar-se de maneira qualitativa em vidas que sustentam a economia londrinense traz aos holofotes a importância e pessoalidade dentro de cada serviço ou produto que compramos e encontramos durante uma simples tarde de segunda-feira.

 

Da paixão à renda

“Mãe, tem alguém ajudando a Célia a fazer o quarto da nossa filha, não é possível’“, comentou Célia as palavras do seu falecido marido

Célia Waldrigues tinha 20 anos quando teve a sua primeira filha em 1994. Desde sempre foi apaixonada por produtos de bebê. Segundo ela, passava horas e horas folheando revistas de enxoval e analisava minuciosamente as páginas e os detalhes dos produtos, pensando não apenas um dia tê-los, mas produzi-los. “Eu não sabia nem enfiar a linha na agulha e pedi uma máquina pro meu marido”, comenta a costureira que foi assim que começou sua paixão pelo bordado e costura.

“Quando eu vim para cá eu comecei a fazer sob encomenda e comecei a ver a possibilidade de fazer meu hobby uma renda”

Quando grávida da sua segunda filha decidiu realizar um orçamento de enxoval, dessa vez para suas duas filhas, ao escutar o valor se assustou, pegou a linha e a máquina de presente e começou a produção ela mesma. Impressionada com suas próprias peças, encontrou não apenas uma paixão, mas uma semente de uma futura renda.

Hoje, Célia tem seu pequeno ateliê dentro do seu próprio apartamento e lembra histórias do início da sua paixão, “faz 31 anos que eu encostei na primeira linha”, comenta.

Um luto após a morte do seu marido em 2023 fez com que as produções desacelerassem um pouco, mas o mesmo motivo que a levou parar a incentivou a continuar. Ela comenta que agora volta por ele, pela situação financeira e, sobretudo, por ela mesma. Na volta, as dores se mesclam entre luto, desafios financeiros e administrativos e, apesar de uma luz no fim do túnel, voltar se torna um pouco mais complexo, mas não tira a alegria de fazer o que gosta.

“É gostoso fazer o que gosta”, comenta Célia.

Após 31 anos desde a primeira linha passada na agulha, Célia continua a produção de enxoval e está dentro do estatística de 31 mil microempreendedores individuais de Londrina.

 

Da cozinha às contas

Rodrigo Campos estudou gastronomia na Unifil, em Londrina, porém, não terminou. Apesar do início da faculdade em 2012 o seu interesse na cozinha é “desde que se conhece por gente”, em suas palavras. Segundo ele, por volta dos seus 9 anos já fritava ovos por interesse próprio e já que sua mãe passava o dia inteiro fora de casa, cabia à ele se reinventar à frente dos fogões.

“Eu sempre tava mexendo com fogo e me reinventava na cozinha” , comenta Rodrigo

“Eu lembro que o primeiro prato que eu fiz foi um prato semelhante ao charuto árabe. Eu assistia um programa de culinária na televisão e tentei imitar. Tinha 11 anos quando fiz”, comenta o cozinheiro.

“Apesar de já oscilar entre primeira e segunda renda, a cozinha sempre estava como uma fonte”, comentou Rodrigo

Rodrigo trabalhou em diversos restaurantes e em uma empresa de eventos de churrasco, segundo ele, foi quando começou a analisar a possibilidade de gerar uma renda extra. “Eu ia para os eventos com meu antigo emprego e as pessoas começaram a me contratar”.

Foi aí quando virou a chave e Rodrigo começou a investir nessa área. Apesar de ter trabalhado em restaurante japonês, na Itália e em outros lugares, descobriu a paixão no churrasco e tornou o interesse do pequeno Rodrigo de 11 anos a sua maior renda.

“Querendo ou não é uma coisa que eu não quero deixar de fazer”, conclui o cozinheiro sobre o seu trabalho e paixão

Apesar da facilidade no controle da grelha, ele comenta que a maior dor de tornar sua paixão em negócio é a parte administrativa e financeira. Segundo Rodrigo, quando há falta de gestão a sua paixão corre risco de virar dor de cabeça e uma renda “prazerosa” se tornar um trauma.

Com 41 anos, Rodrigo se encaixa dentro da idade média dos microempreendedores de Londrina, que é cerca de 40 anos, e está dentro dos 35,2% que trabalham de forma itinerante. Ele realiza eventos com foco em churrasco, porém também atende a qualquer outro cardápio, podendo fazer até mesmo seu primeiro prato quando tinha 11 anos.

 

À beira da liberdade financeira

Casal dono do ponto de caldo de cana na região mais famosa de Londrina, Paraná não quer deixar o ponto tão cedo

Joaquim Monteiro da Silva, de 79 anos, e Simone Aparecida da Silva Barrau, de 53, são um casal proprietário de um ponto de venda de caldo de cana na avenida Higienópolis, em Londrina, bem no Lago Igapó 2, cartão postal da cidade. Joaquim veio de São Sebastião do Paraíso, cidade de Minas Gerais, para Londrina com apenas 5 anos. Sua história não começou diretamente com a famosa garapa, mas sim dentro dos embarques e desembarques no Terminal Central de Londrina.

Há mais de uma década, o casal transformou a busca por autonomia financeira em um negócio que hoje faz parte da paisagem londrinense.

Simone nunca nem havia sonhado em vender caldo de cana. Ela chegou em Londrina com 18 anos de idade e trabalhava na roça, e logo começou a compartilhar o espaço de trabalho de Joaquim. A atual dona da garapeira vendia panos de prato e passes de ônibus também no terminal. Nas idas e vindas das linhas municipais os dois se encontraram e com a convivência logo se aproximaram.

Entre a força das mãos e o movimento da máquina, a cana se transforma em sustento para uma família e tradição para quem passa pelo Lago Igapó

A ideia de estabilidade financeira cria expectativas e é almejada por muitos. Não foi diferente para o casal, que buscando uma maneira de liberdade analisaram empreender. Segundo eles, havia um ponto de caldo de cana próximo do terminal e vendo todo dia o movimento das vendas e após algumas conversas sobre faturamento, preço dos produtos, decidiram largar tudo, Simone seus passes e panos e Joaquim as catracas.

A rotina compartilhada transformou o trabalho em parceria e o negócio em parte da história do casal

“Eu gosto de trabalhar aí, a gente faz o nosso horário, na hora que quiser a gente fecha e vai embora”, comenta Joaquim. Para ele, a maior vantagem do seu empreendimento é a liberdade, de acordo com ele, aos 79 anos, não deseja cumprir horário e busca apenas viver uma vida tranquila ao lado da esposa. Para Simone, o objetivo é ficar nesta área sem nenhuma pretensão de mudança. “Eu adorei a ideia”, comenta quando recebeu a proposta do marido há mais de 12 anos.

O casal faz parte dos 25% de brasileiros com mais de 50 anos que pretendem abrir um negócio no futuro, segundo pesquisa do Sebrae.

 

Texto e fotos: Rafael Guerra sob a supervisão dos jornalistas da Paiquerê FM 98.9

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Redação Paiquerê FM News

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