Apocalipse? Relógio do Juízo Final chega a 85 segundos da meia-noite e atinge marca inédita
Criado por cientistas após a Segunda Guerra Mundial, o Relógio do Juízo Final foi ajustado para 85 segundos da meia-noite, o ponto mais próximo do colapso global já registrado. A decisão reflete o aumento de riscos como conflitos armados, armas nucleares, mudanças climáticas e o avanço acelerado de novas tecnologias

O alerta simbólico mais conhecido do mundo científico atingiu um novo patamar de preocupação. O Relógio do Juízo Final foi ajustado para apenas 85 segundos da meia-noite, marca inédita desde sua criação e que representa o nível máximo de risco existencial para a humanidade.
O relógio é mantido pelo Bulletin of the Atomic Scientists, entidade fundada em 1947 por pesquisadores ligados ao Projeto Manhattan, responsáveis pelo desenvolvimento das primeiras bombas nucleares. Entre os nomes históricos envolvidos na criação da iniciativa está Albert Einstein, que defendia a necessidade de alertar o mundo sobre os perigos do avanço tecnológico sem controle.
Desde o início, a meia-noite simboliza a destruição global, seja por guerra nuclear, colapso ambiental ou outros fatores capazes de ameaçar a sobrevivência da civilização. Quando o relógio foi apresentado ao público pela primeira vez, marcava sete minutos para a meia-noite. Ao longo das décadas, o horário foi sendo ajustado conforme mudanças no cenário político, militar, científico e ambiental.
Houve momentos de alívio. Em 1991, com o fim da Guerra Fria e a assinatura de acordos de redução de armas nucleares, o relógio chegou a marcar 17 minutos antes da meia-noite, o ponto mais distante já registrado. No entanto, esse cenário de esperança não se manteve.
Segundo os cientistas responsáveis pelo ajuste mais recente, o mundo enfrenta hoje uma combinação de ameaças sem precedentes. Entre os principais fatores estão o aumento das tensões geopolíticas entre grandes potências, o enfraquecimento de tratados de controle de armas nucleares, a intensificação das mudanças climáticas e a disseminação de desinformação.
Outro elemento que pesou na decisão foi o avanço acelerado de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, sem regulamentações claras e com potencial de uso militar ou de impacto social em larga escala. Para os especialistas, esses riscos não atuam isoladamente, mas se reforçam mutuamente, tornando o cenário global ainda mais instável.
Ao posicionar o relógio a apenas 85 segundos da meia-noite, os cientistas deixam um recado direto: a humanidade nunca esteve tão próxima de um ponto crítico. O Relógio do Juízo Final não prevê o futuro, mas funciona como um alerta claro de que decisões políticas, científicas e sociais tomadas hoje terão impacto direto sobre o destino do planeta.

