Ataque dos EUA à Venezuela provoca reação global e divide líderes internacionais
Brasil, Rússia, China e Irã condenam ofensiva e cobram resposta da ONU, enquanto aliados regionais de Trump celebram a captura de Maduro

Os Estados Unidos confirmaram, na manhã deste sábado (3), a realização de um ataque militar de grande escala contra a Venezuela, que teria resultado na captura do presidente Nicolás Maduro. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, após meses de tensão diplomática marcada por acusações de tráfico de drogas e questionamentos sobre a legitimidade do governo venezuelano.
A ofensiva desencadeou reações imediatas de governos e organismos internacionais, evidenciando um cenário de forte polarização política e diplomática.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como uma grave violação da soberania regional. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que os bombardeios e a captura do chefe de Estado venezuelano “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam um precedente perigoso para a ordem internacional, além de remeterem aos piores momentos de interferência externa na América Latina. O presidente brasileiro cobrou uma resposta firme da Organização das Nações Unidas.
A Rússia, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, condenou o que chamou de “ato de agressão armada” e alertou para riscos à segurança global. Moscou afirmou que os argumentos usados para justificar a ação são infundados e defendeu a convocação imediata do Conselho de Segurança da ONU para evitar nova escalada.
Em nota oficial, a China disse estar “profundamente chocada” com a ofensiva, classificando-a como violação do direito internacional e da soberania venezuelana. O governo chinês afirmou se opor firmemente ao que chamou de comportamento hegemônico dos EUA, alertando para ameaças à paz e à segurança na América Latina e no Caribe.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda preocupação com a operação, que, segundo seu porta-voz, cria um precedente perigoso e demonstra desrespeito às normas do direito internacional e à Carta da ONU.
O Irã também condenou o ataque, classificando-o como violação flagrante da soberania e da integridade territorial da Venezuela. O país, aliado de Caracas, pediu que o Conselho de Segurança da ONU atue imediatamente para interromper o que chamou de agressão ilegal.
Em sentido oposto, líderes alinhados a Washington comemoraram a ofensiva. O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a ação ao afirmar que “a liberdade avança” e defendeu o fim de uma postura considerada tímida diante do governo venezuelano. Já o presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou que a estrutura do que chamou de “narco-chavismo” estaria próxima do colapso.
A Ucrânia também se posicionou contra o governo deposto. O chanceler Andrii Sybiha afirmou que o regime de Maduro teria violado princípios básicos de direitos humanos.
América Latina e Europa pedem moderação
Na América Latina, a maioria dos governos reagiu com preocupação. México, Chile, Colômbia e Uruguai condenaram a ação militar e reforçaram a defesa do diálogo, da não intervenção e do respeito ao direito internacional.
Na Europa, a reação foi mais cautelosa. A União Europeia afirmou estar monitorando a situação, enquanto o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que ainda busca esclarecer os fatos. A Espanha pediu desescalada e se colocou à disposição para mediar uma solução negociada. Já na Itália e na Alemanha, líderes políticos criticaram duramente a ofensiva, apontando ausência de base legal e riscos à ordem internacional construída no pós-guerra.
As reações refletem a dimensão global da crise e indicam que o episódio pode provocar desdobramentos diplomáticos e geopolíticos significativos nos próximos dias.

