Atendimentos no CAM quadruplicam e reforçam alerta sobre violência contra mulheres em Londrina

De 2022 à 2025 o número de atendimentos no Centro de Referência de Atendimento à Mulher cresceu de 96 para 400; Secretária da Mulher afirma queda nos caso de feminicídio em Londrina

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Foto: Reprodução

No mês de agosto, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) completa 20 anos desde sua criação. A data é significativa no contexto dos avanços sobre o tema e das políticas de segurança voltadas às mulheres no Brasil e em Londrina, mas também ressalta um cenário desfavorável para elas. Enquanto se celebram duas décadas da legislação, os homicídios dolosos caem e os feminicídios aumentam.

No fim de julho, foi publicado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa mostra que o Brasil atingiu a meta de redução de homicídios dolosos. No entanto, o mesmo não ocorreu com a taxa de feminicídios no país. De acordo com o anuário, o Brasil registrou alta de 4% em 2025, em comparação com 2024.

Em Londrina, Marisol Chiesa, secretária municipal de Políticas para as Mulheres, afirma que o número de feminicídios registrados na cidade caiu de cinco, em 2025, para dois casos registrados neste ano. Marisol ressalta os dados como positivos e afirma: “Em Londrina, nós tivemos, em 2025, cinco casos registrados de feminicídio. Já em 2026, nós tivemos dois casos, sendo um deles recente.”

Em contrapartida, o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) registrou, de 2022 a 2025, uma alta de mais de quatro vezes no número de atendimentos realizados na unidade. De acordo com a recém-lançada plataforma da Prefeitura de Londrina, “Sistema de Indicadores do Município de Londrina”, o número de atendimentos saltou de 96, em 2022, para 400, em 2025.

Aumento de casos ou aumento da segurança?

De acordo com a secretária, em entrevista exclusiva à Paiquerê FM 98.9, atualmente o CAM atende 265 mulheres. Ela também afirma que o acompanhamento é contínuo e que o centro amplia o cuidado com a mulher por meio de diversas ações de amparo às vítimas de violência.

De acordo com o Lesfem, Laboratório de Estudos de Feminicídios, uma das maiores dificuldades no combate ao feminicídio é a denúncia. Segundo levantamento feito pelo laboratório, entre 2023 e 2025, houve, no Brasil, 521 casos de tentativas de feminicídio com uso de fogo. Desse total, apenas 9,4% das vítimas haviam realizado algum tipo de denúncia antes da ocorrência.

Nesse período, dois casos chocaram Londrina. Em novembro de 2024, um homem de 42 anos ateou fogo em sua companheira no bairro Aeroporto. Em julho do ano passado, outro homem colocou fogo na casa da companheira. Além do método utilizado, o que aproxima os dois casos é a declaração pública. Ambos teriam declarado, antes ou depois, interesse em executar o crime e não demonstraram arrependimento.

Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM)

Marisol comenta que, atualmente, as mulheres londrinenses têm mais acesso à informação e que a queda no número de feminicídios em Londrina, apontada por ela, é reflexo do aumento da procura pelo CAM.

“Na Secretaria da Mulher, o Centro de Atendimento à Mulher oferece acolhimento psicológico, assistência social e orientação jurídica. As mulheres podem procurar o serviço espontaneamente ou ser encaminhadas pela Delegacia da Mulher e pela Vara Maria da Penha. Nos casos de risco de vida, Londrina também conta com uma casa-abrigo para acolher vítimas de violência doméstica que precisam deixar suas residências”, comenta a secretária.

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Redação Paiquerê FM News

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