Bad Bunny x Trump: show do intervalo do Super Bowl vira palco de embate político nos EUA
Críticas de Donald Trump à apresentação de Bad Bunny reacenderam discussões sobre imigração, identidade latino-americana e o uso do espanhol no maior evento esportivo dos Estados Unidos

A apresentação de Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl ultrapassou o entretenimento e ganhou contornos políticos nos Estados Unidos. Após o espetáculo realizado no domingo (8), o presidente Donald Trump fez críticas ao cantor, classificando a apresentação como “absolutamente ridícula”.
Trump afirmou que o público não entenderia as letras cantadas em espanhol e atacou a performance do artista, dizendo que o show representaria um desrespeito aos valores do país. As declarações repercutiram rapidamente e reacenderam debates sobre políticas de imigração e a presença da cultura latino-americana em espaços centrais da sociedade norte-americana.
O embate não é novo. Desde que Bad Bunny foi anunciado como atração principal do intervalo, em setembro de 2025, Trump já demonstrava insatisfação com a escolha. Em entrevistas, o presidente chegou a dizer que não conhecia o cantor e acusou o artista de transmitir mensagens políticas contrárias ao governo.
Além do sucesso musical global, Bad Bunny é conhecido por seu posicionamento político. O cantor frequentemente se manifesta contra políticas anti-imigração e já criticou publicamente o ICE, órgão responsável pela imigração e fronteiras. Em uma premiação recente, chegou a protestar no palco contra a atuação dos agentes federais.
Antes do Super Bowl, declarações de membros ligados à Casa Branca sobre a possibilidade de envio de agentes de imigração ao estádio também causaram polêmica, sendo interpretadas como tentativa de intimidação ao público latino. Embora nenhuma ação tenha sido registrada no dia do evento, o episódio ampliou a tensão em torno do show.
Cantando majoritariamente em espanhol, Bad Bunny reforça a valorização da identidade latina e do idioma falado por milhões de pessoas nos Estados Unidos. Seu álbum mais recente traz críticas à situação política de Porto Rico e à relação histórica da ilha com o governo norte-americano, tema recorrente em suas músicas.
Para especialistas, o confronto entre o presidente e o artista simboliza um choque de visões: de um lado, o discurso nacionalista que defende uma identidade americana única; do outro, a celebração da diversidade cultural e das raízes latino-americanas em um país formado por imigrantes.
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