Brasil discute novo marco legal para regular redes sociais e proteger usuários
Texto alternativo ao PL das Fake News propõe regras de transparência, moderação de conteúdo e responsabilização das plataformas digitais

O Brasil discute um novo marco legal para regular a atuação das grandes plataformas digitais e equilibrar o poder das redes sociais com a segurança dos usuários. A proposta alternativa ao PL 2630, conhecido como PL das Fake News, busca estabelecer diretrizes para redes sociais, mecanismos de busca e aplicativos de mensagens.
O texto em debate prevê regras de governança, transparência e moderação de conteúdo para empresas como Google, Meta, TikTok e X. A intenção é responsabilizar as plataformas pela circulação de conteúdos considerados nocivos, sem deixar de criar mecanismos de proteção contra remoções indevidas de publicações e possíveis abusos na moderação.
A discussão ganhou força diante do avanço da desinformação e do uso de novas tecnologias na produção de conteúdos falsos. Segundo levantamento do Observatório Lupa, o volume de informações falsas geradas por inteligência artificial cresceu 308% no último ano.
Para a professora do curso de Direito da UniCesumar de Londrina, Stella Cunha, a ausência de mecanismos eficazes de responsabilização das plataformas cria um ambiente de insegurança jurídica.
“A ausência de responsabilização eficaz das plataformas e o controle sobre os algoritmos criam um ambiente de insegurança jurídica, possibilitando discursos de ódio e o cometimento de condutas criminosas. O poder de alcance das empresas de tecnologia exige políticas públicas capazes de equilibrar a operação do serviço com a proteção aos direitos fundamentais, como honra, imagem e privacidade”, afirmou.
De acordo com levantamento do Instituto Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, 78% dos brasileiros defendem que as plataformas tenham controle e responsabilização efetiva sobre os conteúdos que hospedam.
Diferente do texto original do PL 2630, que recebeu críticas por possíveis impactos à privacidade no rastreamento de mensagens, o novo modelo se aproxima de normas adotadas na Europa, como o Digital Services Act. Entre os pontos centrais estão a exigência de relatórios de transparência, avaliação de riscos sistêmicos e identificação de campanhas coordenadas de desinformação.
As mudanças podem impactar diretamente o modelo de negócio das empresas de tecnologia, com aumento de custos para adaptação regulatória, criação de mecanismos de controle e redução da monetização de conteúdos considerados nocivos.
Para os usuários, a proposta prevê efeitos práticos, como maior clareza sobre critérios de exibição de anúncios, reforço na proteção contra fraudes, segurança de dados pessoais e direito de contestar decisões de remoção de conteúdo.
Um dos principais desafios do Legislativo e do Judiciário será criar regras que possam ser aplicadas de forma efetiva às plataformas globais, sem comprometer a liberdade de expressão.
Para a especialista, o Brasil já possui experiências anteriores que podem ajudar nesse processo, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados.
De acordo com a especialista, o Brasil tem capacidade institucional para avançar nesse tipo de regulação, já que experiências anteriores, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados, oferecem uma base sólida. Segundo ela, o sucesso do novo modelo dependerá da segurança jurídica e de uma atuação proporcional do Estado, garantindo o devido processo legal no ambiente digital sem abrir espaço para censura prévia.
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