Brasil promete reciprocidade após EUA revogarem visto de embaixadora em Washington
Governo brasileiro repudiou a decisão norte-americana e afirmou que medida faz parte de uma escalada de ações hostis contra o país

O governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da crise diplomática entre os dois países. Apesar da medida, a diplomata não foi expulsa e poderá continuar atuando nos EUA. Caso deixe o território norte-americano, no entanto, terá que solicitar novo visto para retornar.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a decisão foi tomada em resposta à demora do Brasil em conceder o agrément, aval diplomático necessário para que Daniel Perez assuma a embaixada norte-americana em Brasília. Washington afirmou ainda que o visto da embaixadora poderá ser restabelecido caso o impasse seja resolvido.
O governo brasileiro repudiou a medida e afirmou, em nota oficial, que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. O Itamaraty sustenta que o processo de concessão de agrément é confidencial e que não há prazo obrigatório previsto na Convenção de Viena para a autorização.
As autoridades brasileiras também informaram que será realizada uma reunião para discutir uma resposta com base no princípio da reciprocidade. Um dos entraves é que os Estados Unidos ainda não têm um embaixador oficialmente em exercício no Brasil.
A nota brasileira também cita a negativa de vistos a dois funcionários do governo norte-americano. Segundo o Brasil, eles pretendiam vir ao país para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi classificado como uma tentativa inaceitável de interferência no processo político nacional.
Escalada das tensões
O episódio ocorre em meio a uma sequência de tensões entre os dois governos. Nos últimos meses, a relação bilateral foi marcada por medidas comerciais, como tarifas sobre produtos brasileiros, sanções individuais contra autoridades do Brasil e divergências sobre temas políticos e eleitorais.
Outro ponto de atrito foi a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas estrangeiras, medida vista pelo governo brasileiro como sensível para a soberania nacional.
Durante congresso de jornalismo investigativo promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, no fim de semana, jornalistas também relataram abordagens atribuídas a agentes consulares norte-americanos para obter informações sobre o processo eleitoral brasileiro e a situação da liberdade de expressão no país.
A crise diplomática reforça o clima de instabilidade nas relações entre Brasil e Estados Unidos, com acusações mútuas de interferência e novas medidas de retaliação ainda em discussão.
Texto: Rafael Guerra
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