Calor extremo em Belém já afeta sono, saúde e rotina de moradores

A capital do Pará registrou 212 dias de calor extremo em 2024, segundo dados do Cemaden. O aumento das temperaturas tem afetado o sono, a saúde e até a economia local, com impactos mais intensos nas áreas periféricas da cidade

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Reprodução: Augusto Miranda/Agência Pará

O calor intenso deixou de ser apenas uma característica de Belém e passou a influenciar diretamente a rotina de quem vive na cidade. Em 2024, a capital paraense registrou 212 dias de calor extremo, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. O número representa os dias em que a temperatura máxima superou todas as máximas registradas em anos anteriores, algo que não foi observado em nenhuma outra capital brasileira.

Calor que muda de uma rua para outra

A desigualdade climática em Belém pode ser percebida em poucos quarteirões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a cidade é a sexta capital do país com mais pessoas vivendo em ruas sem nenhuma árvore.

Enquanto áreas centrais contam com ruas arborizadas e sombra natural, bairros periféricos convivem com asfalto exposto e pouca vegetação. No bairro do Jurunas, por exemplo, moradores relatam que o calor domina o ambiente já no fim da manhã e dificulta atividades simples do dia a dia, como descansar ou estudar.

Os números do calor extremo

Segundo o Cemaden, Belém foi a capital brasileira com mais episódios de calor extremo em 2024. Em alguns momentos, a cidade chegou a registrar 37,3°C.

Levantamento do Laboratório de Modelagem de Tempo e Clima da Universidade Federal do Pará, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia, mostra que apenas nesta década já foram registrados 164 dias com temperaturas acima de 35,5°C.

Isso significa que, em apenas quatro anos, Belém enfrentou mais dias de calor extremo do que nas seis décadas anteriores somadas.

Menos floresta, mais calor

Especialistas apontam que a intensificação do calor está diretamente ligada à perda de cobertura vegetal. Entre 1985 e 2023, Belém perdeu cerca de 20% de sua área de floresta, segundo estudos da Universidade Federal do Pará.

A redução da vegetação compromete o equilíbrio térmico da cidade, já que áreas arborizadas ajudam a regular temperatura e umidade. Além disso, mudanças no regime de chuvas também alteram o funcionamento do ecossistema urbano e rural.

Impactos na juventude e na economia

Crianças e adolescentes estão entre os mais afetados pelo aumento das temperaturas. O calor intenso dificulta atividades físicas, prejudica o rendimento escolar e torna as noites mais difíceis.

A economia local também sofre impactos. A produção de açaí, por exemplo, vem enfrentando mudanças no ciclo de frutificação devido às alterações climáticas. Em 2025, o preço do litro da fruta chegou a R$ 28, segundo dados do Dieese Pará.

Noites quentes e sono prejudicado

Especialistas explicam que o corpo precisa reduzir a temperatura para entrar no sono profundo. Em ambientes muito quentes, esse processo se torna mais difícil.

Várias noites mal dormidas podem provocar efeitos a longo prazo, como aumento do estresse, queda na concentração e prejuízos à saúde física e mental.

Para moradores da capital paraense, o calor extremo deixou de ser apenas uma questão climática. Ele passou a afetar diretamente o cotidiano, a economia e até os planos de vida de quem vive nas áreas mais vulneráveis da cidade.

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