Caso de jovem desaparecido reforça importância do cadastro em parques estaduais do Paraná
Procedimento obrigatório ajuda no controle de visitantes e é fundamental para ações de segurança e resgate

O episódio envolvendo o jovem Roberto Faria Thomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias desaparecido no Parque Estadual Pico Paraná, entre os dias 1º e 5 de janeiro, reacendeu o alerta sobre a necessidade do cadastro obrigatório de visitantes nas Unidades de Conservação (UCs) do Paraná. O parque está localizado nos municípios de Campina Grande do Sul e Antonina.
O sistema é exigido pelo Instituto Água e Terra (IAT), responsável pela gestão dos parques estaduais, e tem como objetivo principal garantir a segurança dos frequentadores e auxiliar no controle do fluxo de visitantes. No caso recente, o jovem e seus companheiros acessaram o parque por uma entrada secundária e irregular, fora do horário de funcionamento e sem realizar o cadastro, o que dificultou as ações iniciais de monitoramento.
O procedimento exige que o visitante compareça presencialmente à base do IAT na entrada do parque para informar dados pessoais, telefone de contato, contatos de emergência e horário de início da trilha. Ao deixar a área, é obrigatório retornar à base para registrar a saída e encerrar o cadastro.
Segundo o gerente de Áreas Protegidas do IAT, Jean Alex dos Santos, o registro é essencial para a segurança. Ele explica que, com base no horário de entrada, na confirmação de saída e no tempo médio das trilhas, é possível identificar rapidamente situações em que pode ser necessário acionar equipes de resgate.
Além do aspecto preventivo, o cadastro também contribui para a gestão das Unidades de Conservação, permitindo dimensionar o número de visitantes e direcionar investimentos de forma mais precisa para a melhoria da estrutura e da experiência do público.
O descumprimento das regras pode gerar dificuldades em situações de emergência e também sanções administrativas. Conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008, condutas em desacordo com os regulamentos das UCs podem resultar em multas que variam de R$ 500 a R$ 10 mil.
Atenção redobrada em áreas montanhosas
Em parques de perfil montanhoso, como o Pico Paraná, o cadastro é ainda mais rigoroso. Os visitantes precisam assinar um termo de ciência de risco e fornecer informações adicionais, como preparo físico, experiência prévia em ambientes de montanha, condições de saúde e equipamentos de segurança levados para a trilha.
Os funcionários do IAT também orientam sobre vestimentas adequadas, quantidade mínima de água e alimentos, além da recomendação de não realizar trilhas sozinho, sendo indicado um grupo mínimo de três pessoas. Para quem não conhece o local, é sugerida a contratação de guias especializados.
O IAT reforça ainda que o trajeto utilizado pelo jovem para sair do parque em direção a Antonina não é autorizado para visitação, conforme o Plano Emergencial de Uso Público publicado em agosto de 2025. A entrada em áreas restritas é considerada infração ambiental, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008 e a Lei Federal nº 9.605/1998.
De acordo com a chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim, o acesso irregular apresenta riscos elevados devido ao relevo íngreme, mata fechada, possibilidade de trombas d’água e dificuldade de comunicação. Ela informou que estão em andamento ações para reforçar a sinalização e restringir acessos não permitidos, com o objetivo de aumentar a segurança de visitantes e equipes de resgate. Com informações de AEN.

