Chip com neurônios humanos aprende a jogar Doom e aproxima realidade dos computadores biológicos

Experimento conecta neurônios humanos cultivados em laboratório a um chip e demonstra avanço na área da computação biológica

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Reprodução / Foto: banco de imagens

Pesquisadores deram mais um passo em direção aos chamados computadores biológicos ao desenvolver um sistema capaz de utilizar neurônios humanos cultivados em laboratório para aprender a jogar o clássico game Doom.

A tecnologia foi criada pela empresa Cortical Labs e combina células vivas com componentes eletrônicos, formando uma interface entre biologia e computação.

O sistema utiliza neurônios humanos cultivados sobre uma matriz de microeletrodos instalada em um chip de silício. Os estímulos enviados pelo ambiente virtual são recebidos pelas células, que respondem gerando sinais elétricos interpretados pelo computador.

Antes desse experimento, os pesquisadores já haviam conseguido ensinar neurônios a jogar Pong, um dos videogames mais simples da história. Agora, o desafio envolveu Doom, um jogo muito mais complexo, que exige tomada de decisões, navegação em ambientes tridimensionais e adaptação constante.

Segundo os cientistas, os neurônios utilizam um mecanismo conhecido como plasticidade neuronal, característica natural do cérebro humano que permite aprendizado e adaptação diante de novos estímulos.

Durante os testes, as células passaram a responder de forma cada vez mais eficiente aos desafios apresentados pelo sistema, demonstrando capacidade de aprendizado.

A pesquisa faz parte de uma área conhecida como computação biológica, que busca aproveitar características naturais do cérebro, como eficiência energética e adaptação, para desenvolver sistemas mais avançados do que os computadores tradicionais.

Especialistas acreditam que tecnologias desse tipo poderão contribuir futuramente para avanços em inteligência artificial, pesquisas médicas, neurociência e desenvolvimento de novos sistemas computacionais.

Apesar do potencial, o tema também levanta debates éticos sobre o uso de células humanas em sistemas tecnológicos e os limites da integração entre organismos vivos e máquinas.

Ainda em estágio inicial, a tecnologia é vista como um marco importante na aproximação entre biologia e computação.

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