Cientistas descobrem que fermento pode sobreviver em condições semelhantes às de Marte
Pesquisadores descobriram que um tipo de fermento utilizado na produção de alimentos conseguiu sobreviver, por um período limitado, em condições extremas que simulam o ambiente de Marte. O experimento reforça hipóteses da astrobiologia sobre a resistência da vida microbiana e levanta alertas sobre a contaminação de outros planetas por organismos da Terra

Um experimento científico surpreendente mostrou que leveduras — microrganismos conhecidos por fazerem o pão crescer — conseguem resistir temporariamente a condições semelhantes às encontradas em Marte. O estudo foi realizado em laboratório, com o uso de uma câmara especial que simulou o ambiente hostil do planeta vermelho, incluindo frio extremo, baixa pressão atmosférica, quase ausência de oxigênio e altos níveis de radiação.
Inspirados em pesquisas conduzidas pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, os cientistas submeteram o fermento a temperaturas entre –50 °C e –80 °C, pressão inferior a 1% da existente na Terra e radiação ultravioleta semelhante à da superfície marciana. Após horas nessas condições, parte das células analisadas permaneceu viva e retomou suas atividades quando reidratada.
Segundo os pesquisadores, o fermento entrou em um estado conhecido como criptobiose, uma espécie de “hibernação” em que o metabolismo praticamente para, permitindo a sobrevivência em ambientes extremos. A descoberta contribui para uma das grandes questões da astrobiologia: se formas simples de vida poderiam resistir em Marte ou se vestígios de microrganismos antigos podem estar preservados sob o solo ou em rochas protegidas da radiação.
Apesar do resultado animador, os cientistas fazem um alerta. Sobreviver por um curto período não significa que o fermento conseguiria se reproduzir ou se manter ativo em Marte a longo prazo. A radiação cósmica constante e a escassez de nutrientes tornariam a permanência inviável com o passar do tempo.
O estudo também reforça a importância dos protocolos de proteção planetária adotados por agências espaciais. Caso contrário, missões futuras poderiam acabar levando microrganismos terrestres ao planeta vermelho, comprometendo a busca por vida marciana genuína.
Além do impacto científico, a pesquisa abre caminho para reflexões sobre o futuro da exploração espacial. Leveduras resistentes poderiam, no futuro, auxiliar na produção de alimentos, medicamentos ou biocombustíveis em colônias humanas fora da Terra. Por enquanto, a descoberta mostra que a vida, mesmo em suas formas mais simples, pode ser muito mais resistente do que se imaginava.

