Comer demais na infância pode impactar a saúde mental no futuro, aponta estudo
Pesquisas indicam que alimentação excessiva na infância, especialmente entre meninas, pode estar associada a maior risco de depressão e ansiedade na vida adulta, envolvendo fatores biológicos, emocionais e sociais

A relação entre alimentação e saúde vai além do corpo e pode alcançar a mente anos depois. Um estudo destacado pela revista Galileu chamou atenção ao apontar uma associação entre alimentação excessiva na infância e um risco aumentado de transtornos mentais, como depressão e ansiedade, especialmente em meninas.
Segundo a reportagem, os pesquisadores observaram que padrões alimentares desregulados durante a infância podem interagir com fatores como metabolismo, autoestima e imagem corporal, criando maior vulnerabilidade psicológica ao longo da vida. O excesso alimentar, nesse contexto, não aparece como causa isolada, mas como parte de uma rede complexa de influências físicas e emocionais.
Outros estudos científicos reforçam essa ligação. Uma pesquisa publicada na Journal of Youth and Adolescence identificou que adolescentes com sobrepeso ou hábitos alimentares irregulares apresentavam índices mais elevados de sintomas depressivos. Já uma meta-análise da revista Nutrients apontou que dietas ricas em açúcares simples e de alta carga glicêmica estão associadas a maior risco de depressão e ansiedade, sobretudo entre mulheres.
Especialistas explicam que essa associação pode estar ligada a diferentes mecanismos. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode estimular processos inflamatórios no organismo, já relacionados a transtornos depressivos. Além disso, questões como pressão estética, bullying e insatisfação com o próprio corpo tendem a afetar mais meninas, impactando diretamente a saúde emocional. Outro ponto levantado é o uso da comida como estratégia precoce de regulação emocional, como comer para aliviar estresse ou ansiedade, hábito que pode se consolidar ao longo dos anos.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados não indicam uma relação de causa direta. Comer demais na infância não determina, por si só, o desenvolvimento de transtornos mentais, mas pode aumentar a probabilidade quando combinado a outros fatores biológicos, sociais e psicológicos. O recorte de gênero também é relevante, já que aspectos culturais e hormonais podem influenciar os resultados de forma diferente entre meninas e meninos.
A principal mensagem do estudo é de atenção, não de alarme. Especialistas defendem uma abordagem equilibrada, que envolva alimentação saudável sem rigidez excessiva, fortalecimento da autoestima infantil, estímulo ao diálogo emocional e cuidado para não usar a comida como recompensa ou compensação afetiva.
O trabalho reforça a importância de olhar para a infância como uma fase decisiva, em que corpo e mente se desenvolvem de forma integrada. Com apoio adequado, acompanhamento e informação, é possível reduzir riscos e construir uma relação mais saudável com a alimentação e com a própria saúde mental.
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