Como narcisistas e psicopatas usam o toque físico para manipular parceiros

Especialistas alertam que gestos aparentemente carinhosos, como abraços e contatos constantes, podem ser usados como ferramentas sutis de controle emocional em relações abusivas

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Quando se fala em manipulação emocional, é comum pensar em palavras duras, mentiras ou chantagens. No entanto, especialistas apontam que o toque físico também pode ser usado como instrumento de controle, especialmente por pessoas com traços narcisistas ou psicopáticos. Nesse contexto, gestos como abraços prolongados, segurar o braço ou tocar o rosto sem consentimento deixam de ser afeto e passam a carregar uma mensagem implícita de domínio.

Segundo a psicoterapeuta Ana Carolina Ramos, esse tipo de toque não é espontâneo nem neutro. “O toque vem acompanhado de uma lógica de poder. A pessoa escolhe quando tocar, como tocar e usa o contato físico para criar dependência emocional”, explica. De acordo com ela, o gesto costuma vir junto de cobranças ou da necessidade constante de validação.

No dia a dia, o chamado “toque manipulador” pode aparecer em situações aparentemente inocentes: um abraço que dura mais do que o desejado, acompanhado de frases como “você não vive sem mim”; a mão colocada no pescoço ou no rosto como sinal de posse; ou ainda segurar o pulso durante uma conversa para impor autoridade. Em outros casos, o toque é repetido apenas para testar reações e reafirmar controle.

O problema é que, com o tempo, a vítima passa a associar esse contato físico a segurança e aceitação, mesmo quando ele vem carregado de desconforto. O cérebro responde liberando substâncias ligadas ao vínculo, como a oxitocina, o que pode reforçar a dependência emocional e dificultar a percepção do abuso.

Especialistas explicam que pessoas com esses perfis tendem a ter baixa empatia e forte necessidade de domínio. O parceiro deixa de ser visto como indivíduo autônomo e passa a ocupar o papel de extensão do ego ou objeto de posse. O toque, nesse cenário, funciona como uma forma silenciosa e eficaz de controle.

Alguns sinais de alerta ajudam a identificar esse padrão: sentir ansiedade quando o afeto é retirado, aceitar toques desconfortáveis para evitar conflitos, perceber alternância entre carinho intenso e afastamento repentino ou ouvir exigências do tipo “se me ama, deixe eu te tocar”.

Diante desses indícios, profissionais orientam que o afeto nunca deve gerar medo ou culpa. Estabelecer limites claros, observar a repetição do comportamento e buscar apoio de amigos ou terapia são passos importantes para romper a dinâmica abusiva.

Em uma sociedade que valoriza o contato físico como demonstração de carinho, esse tipo de manipulação tende a passar despercebido. Entender como o toque pode ser usado como ferramenta de poder é fundamental para reconhecer relações desequilibradas e preservar a própria autonomia emocional.

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