Coruja-buraqueira entra em alerta e mobiliza população para proteção

Pesquisadores da Universidade de São Paulo estão mobilizando moradores de Ribeirão Preto para ajudar na preservação da coruja-buraqueira. A espécie sofre com os impactos da urbanização, e a participação popular tem papel essencial no monitoramento e na conservação

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Reprodução: Wikimedia commons

A presença da coruja-buraqueira nas cidades pode até parecer comum, mas especialistas alertam: isso não significa que a espécie está segura. Em Ribeirão Preto, pesquisadores da Universidade de São Paulo estão mobilizando a população para ajudar a proteger essa ave, que enfrenta um declínio silencioso causado pelo avanço da urbanização.

O projeto, desenvolvido por um laboratório da universidade, busca envolver moradores no monitoramento da espécie por meio do envio de informações sobre ninhos. A ideia é simples, mas poderosa: quanto mais dados, mais eficiente se torna a criação de estratégias para preservar a coruja em ambientes urbanos.

O principal desafio está na perda de habitat. A expansão das cidades reduz áreas abertas, fundamentais para alimentação e reprodução da espécie. Além disso, obras e construções frequentemente destroem ninhos sem que as pessoas percebam, agravando ainda mais a situação.

Mesmo adaptada à convivência com humanos, a coruja-buraqueira sofre os efeitos dessa mudança. Os pesquisadores já observaram alterações no comportamento, como maior exposição durante o dia, uso de estruturas artificiais e aumento do estado de alerta. Essa capacidade de adaptação, conhecida como plasticidade fenotípica, ajuda na sobrevivência — mas tem limites.

Outro ponto importante é que a visibilidade da espécie pode enganar. Por ser considerada sinantrópica, a coruja continua aparecendo em áreas urbanas, o que pode dar a falsa impressão de estabilidade. Na prática, porém, a população pode estar diminuindo de forma gradual.

Além do valor ambiental, a coruja-buraqueira também desempenha um papel importante no controle de pragas, alimentando-se de insetos e pequenos roedores. Por isso, sua preservação impacta diretamente o equilíbrio dos ecossistemas urbanos.

Diante desse cenário, os pesquisadores reforçam que pequenas atitudes fazem diferença: respeitar áreas de ninho, evitar interferências e informar a presença das aves são passos fundamentais para garantir a sobrevivência da espécie.

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