De rituais sombrios a Hollywood: a origem curiosa da gíria “shrink” para psiquiatras

O termo "shrink", amplamente utilizado na língua inglesa para se referir a psiquiatras e psicólogos, tem uma origem que mistura costumes macabros e sátira de Hollywood. Derivada de "headshrinker" (encolhedor de cabeças), a gíria faz alusão a tribos que reduziam crânios humanos, mas no contexto terapêutico passou a simbolizar a redução do ego e de problemas complexos

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Você provavelmente já ouviu em filmes ou séries alguém dizer que precisa “visitar seu shrink“. Embora pareça apenas uma gíria moderna, a origem do termo é muito mais profunda — e um tanto quanto sombria. O apelido para psiquiatras e psicólogos surgiu como uma abreviação de headshrinker (encolhedor de cabeças).

A conexão com rituais antigos

A teoria mais aceita para o nascimento do termo remete a práticas reais de tribos no Equador e no Peru. Esses grupos realizavam o encolhimento de cabeças humanas após decapitações (tsantsa), acreditando que o processo preservava a energia espiritual do inimigo. No século XX, o vocabulário popular apropriou-se da imagem de “encolher a cabeça” para descrever o trabalho do terapeuta: ele não reduzia o crânio fisicamente, mas trabalhava para “encolher” o ego inflado ou tornar problemas gigantescos menores e mais fáceis de lidar.

A influência de Hollywood e da literatura

A popularização do termo deve muito à indústria do entretenimento e à contracultura:

  • Anos 50: A revista TIME já registrava que os estúdios de Hollywood usavam “psiquiatra” como jargão para se referir a psiquiatras, muitas vezes de forma debochada.

  • 1966: O termo apareceu impresso de forma definitiva na obra satírica The Crying of Lot 49, de Thomas Pynchon.

Carinho ou Estigma?

A recepção do apelido varia entre os profissionais da saúde mental. Para alguns, o termo carrega um tom pejorativo ou irônico, resquício de uma época em que a terapia era cercada de preconceitos. Para outros, tornou-se um apelido carinhoso e informal que ajuda a desmistificar a consulta médica.

Assim como chamar advogados de “tubarões”, a gíria entrou no dicionário cultural. Ela serve como um lembrete de como a linguagem evolui, transformando rituais antropológicos em expressões cotidianas para descrever o cuidado com a mente humana.

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