Em Londrina, projeto “Cuidar” amplia vagas de neuropediatria na rede municipal de saúde
As consultas ambulatoriais são realizadas às quartas e quintas-feiras, no período da tarde, ou no formato de mutirões, aos sábados e domingos, o dia todo. Esses atendimentos acolhem pacientes com até 14 anos, e muitos deles aguardavam há anos na fila por uma consulta com especialista

Com o intuito de garantir o acesso à saúde para crianças e adolescentes que necessitam de avaliação ou acompanhamento de neuropediatra, a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina (SMS) ampliou o número de consultas ofertadas na Policlínica Municipal Ana Ito. As consultas ambulatoriais são realizadas às quartas e quintas-feiras, no período da tarde, ou no formato de mutirões, aos sábados e domingos, o dia todo. Esses atendimentos acolhem pacientes com até 14 anos, e muitos deles aguardavam há anos na fila por uma consulta com especialista.
Essa iniciativa faz parte do projeto “Cuidar – Cuidado Infanto-Juvenil: Desenvolvimento, Aprendizagem e Reabilitação”, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde e lançado em janeiro deste ano. O levantamento realizado na época compilou 2.439 crianças e adolescentes em fila de espera por neuropediatra. E no primeiro mês do ano, foram agendadas 454 consultas, mas apenas 250 foram efetivadas, apontando um número considerável de faltas. Os mutirões de consulta aos sábados e domingos são conduzidos por médicos credenciados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), do qual a Prefeitura de Londrina faz parte. E as consultas ambulatoriais, durante a semana, são efetuadas pela neuropediatra Ana Carolina Duarte Gobbi, que também coordena o Projeto Cuidar.
Na sala de espera da Policlínica, João Miguel de Souza, de 11 anos, aguardava pela sua primeira consulta com neuropediatra, acompanhado pela tia, a faxineira Michele Aparecida Rodrigues. Ela contou que o sobrinho está em investigação para TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, uma condição do neurodesenvolvimento cujos sintomas principais envolvem desatenção, hiperatividade e impulsividade.
Os sinais foram identificados, a princípio, na escola. Por orientação da professora do 3º ano, João passou por avaliação inicial na Unidade Básica de Saúde e, posteriormente, por uma psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil. Agora, no 6º ano e estudante da rede estadual, ele vai conseguir o tratamento adequado, caso o diagnóstico se confirme. “A minha expectativa está grande, porque penso muito no futuro dele e me preocupo bastante. Não tive as oportunidades que ele tem hoje, meus pais não tiveram essa preocupação. Por isso abracei meu sobrinho e falei ‘deixa que eu vou com ele’, porque sei que isso pode prejudicar o futuro dele. A gente está há mais de um ano esperando; se teve gente que estava na fila e não compareceu (na consulta), hoje eu estou atrasada por causa dessas pessoas”, afirmou.
Segundo a neurologista pediátrica da SMS, Ana Carolina Duarte Gobbi, assim como o TDAH, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI) são as condições mais frequentes, porém a especialidade de neuropediatria abrange várias outras, como epilepsia e cefaleia. Ela acrescentou que o projeto CUIDAR está ajudando, também, a esclarecer e qualificar o cenário de demandas da rede municipal de saúde. “Quando você começa a ter o neuropediatra na rede, começam a aparecer as necessidades: os acompanhamentos com terapias, a realização de exames; e cada vez mais a gente está tentando alinhar isso. Depois do atendimento, a criança já sai com os pedidos de exame e o encaminhamento para as terapias, para cuidar dessa criança e dessa família de uma forma integral”, citou.
A médica explicou que, nos quadros neurológicos, uma longa espera impacta negativamente a vida dessas crianças. Por isso, ampliar as vagas e otimizar as consultas com os mutirões foi uma estratégia implementada pela SMS, para garantir que todos tenham seu diagnóstico e tratamento em tempo oportuno. “Se você não tem um diagnóstico, você não sabe como tratar. E quando a gente fala na criança, ela tem um cérebro excelente para aprender a fazer coisas que não sabe. Uma criança que tem encefalopatia e a gente encaminha para fisioterapia, pode melhorar a parte motora. Se a gente não fizer isso, não vai ter uma evolução. Paciente com TEA, a gente tem o maior exemplo, quanto antes começa a intervenção precoce, aproveitando a neuroplasticidade da criança, a resposta é melhor”, destacou.
O agendamento das consultas é repassado às famílias por meio de correspondência e, no caso dos mutirões, a SMS faz contato telefônico com base no cadastro da criança ou adolescente. Caso a consulta seja confirmada e, posteriormente, seja necessário adiar, é essencial que os responsáveis enviem uma mensagem de texto pelo WhatsApp (43) 3372-9433, e solicitem a remarcação. “Se a mãe recebeu a notificação, a carta, ou recebeu a ligação e ela não pode comparecer, não tem problema, mas tem que avisar. Seja na UBS, com a enfermeira responsável, ou mesmo na Secretaria de Saúde, porque a gente está fazendo os agendamentos por lá, com uma equipe exclusiva. Ela tem que avisar para que a gente possa colocar outra criança no lugar. O fato de não poder comparecer em uma consulta não quer dizer que seu filho vai voltar para o final da fila. Mas, se você avisa, é muito mais fácil a gente já conseguir chamar uma outra criança para esse atendimento”, explicou a neuropediatra.
E a assessora técnica de Gabinete da SMS, enfermeira Renata Morais Alves, destacou que a Secretaria Municipal de Saúde está potencializando as vagas para atendimentos de fonoaudiólogo e neuropsicólogo, inclusive com avaliação neuropsicológica. Essa medida incrementa a oferta de tratamentos multidisciplinares na rede municipal de saúde, que inclui ainda psicologia, psicopedagogia, fisioterapia e terapia ocupacional. A enfermeira, responsável pela organização dos mutirões de neuropediatria, destacou que os atendimentos nessa especialidade são fundamentais, e isso motivou a ampliação das vagas no município. “As crianças de Londrina estavam sem atendimento especializado e as famílias sem norte, pois não tinham orientação de como agir nem noção sobre seus direitos. Garantir hoje um atendimento de qualidade para as crianças é ter esperança em um futuro melhor para nossa população como um todo. Iniciar acompanhamento em tempo oportuno é buscar qualidade de vida para as crianças e suas famílias”, frisou.
Para esse final de semana, o mutirão de sábado (28) na Policlínica Municipal terá dois neuropediatras em atendimento, e uma médica no domingo (1º). Os pacientes agendados foram comunicados por telefone. Nos casos em que houve mudança de endereço, do telefone para contato, ou se for necessário conferir se a criança ou adolescente foi, de fato, encaminhada para consulta com especialista, a Saúde disponibiliza a plataforma Clica e Confirma, que permite a atualização cadastral e a checagem da posição na fila. Essa atualização também pode ser feita presencialmente, na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Com informações do N.Com.

