Embargo da União Europeia a produtos de origem animal preocupa produtores do Paraná
Medida passa a valer em setembro e atinge carnes, pescados, tripas e mel; exportações paranaenses dos itens somaram quase US$ 235 milhões em 2025

A União Europeia anunciou, na última semana, restrições a produtos brasileiros de origem animal, alegando falta de garantias documentais sobre o cumprimento das normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro e gerou preocupação entre produtores brasileiros.
No Paraná, os produtos incluídos na lista de restrições somaram cerca de US$ 235 milhões em exportações para o bloco europeu em 2025. O valor corresponde a aproximadamente 13% do total exportado pelo Brasil à União Europeia nesses itens.
O veto anunciado pelo bloco econômico atinge carnes bovina, equina, de aves e peixe, além de tripas e mel. A nova exigência amplia o rigor sobre o controle do uso de antibióticos na criação de animais e aumenta a atenção dos produtores que exportam para o mercado europeu.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não teria apresentado, dentro dos prazos estipulados, as garantias e informações necessárias para comprovar o cumprimento das normas ao longo de todo o ciclo produtivo.
A Sociedade Rural do Paraná manifestou preocupação com as novas exigências e avaliou que a medida pode representar uma forma de protecionismo ao produtor rural europeu. Apesar disso, a entidade acredita que o embargo pode ser revertido antes da entrada em vigor.
Em nota, a SRP destacou que será fundamental demonstrar, de forma técnica e clara, os protocolos já adotados pelo setor produtivo brasileiro para atender às exigências internacionais. A entidade também reforçou a importância estratégica das vendas de proteína animal para a Europa, especialmente pelo valor agregado superior ao de outros mercados.
De acordo com dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, 11% de tudo o que o Estado exportou em 2025 teve como destino países da União Europeia. Entre os produtos incluídos nas restrições, as exportações paranaenses totalizaram US$ 234,97 milhões no ano passado.
A maior parte desse valor corresponde às carnes, que somaram US$ 234,48 milhões. As aves lideraram os embarques, com US$ 224,53 milhões. As vendas de carne bovina chegaram a US$ 9,65 milhões, enquanto os pescados somaram US$ 59,03 mil e os produtos apícolas, US$ 733,86 mil.
Representantes do setor produtivo avaliam que a situação exige articulação institucional para comprovar o cumprimento das exigências e preservar o acesso a um mercado considerado estratégico para o agronegócio brasileiro.
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