56% aprovam proibição de bets, aponta pesquisa; mulheres são mais favoráveis a banimento

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A proibição das bets é defendida por 56% dos brasileiros, mas as mulheres são mais favoráveis ao banimento das casas de apostas online do que os homens. A medida é apoiada por 62% das mulheres, contra 50% dos homens.

Os dados são da pesquisa “Mulheres & Bets”, divulgada nesta segunda-feira, 17, pelo estúdio CLARICE em parceria com a Estratégia Latina e o IDEIA. Segundo o levantamento, 49% dos brasileiros já fizeram esse tipo de aposta – 42% das mulheres e 56% dos homens.

De acordo com os resultados, o apoio à proibição das bets atravessa diferentes espectros políticos: entre os favoráveis ao banimento, 62% se declaram apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 56% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Para a cientista social Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da CLARICE, o apoio majoritário à proibição indica que há espaço político para medidas mais incisivas. “Quando a gente fala que mais da metade da população, inclusive pessoas que jogam, diz precisa proibir, a gente tem um espaço, uma possibilidade, uma abertura política muito grande”, afirma.

Entre as medidas de enfrentamento ao vício em jogos, 45% aprovam o bloqueio do Pix em apostas para quem recebe benefícios sociais, e 33% teriam interesse em um canal anônimo de apoio – índice que sobe para 57% entre quem aposta com frequência.

A pesquisa também alerta para o baixo conhecimento sobre políticas já existentes: 70% dos brasileiros nunca ouviram falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal. A plataforma do Ministério da Fazenda permite que o cidadão bloqueie voluntariamente o próprio CPF em todas as bets regularizadas. O desconhecimento é maior entre mulheres das classes D e E.

Para Della Costa, o mecanismo de autoexclusão é importante, mas ainda precisa ser mais conhecido. Ela ressalta, porém, que essas ferramentas são recentes. “As pessoas não têm conhecimento de que podem se cadastrar e bloquear o próprio CPF nas plataformas. Falta uma comunicação mais eficiente sobre a existência dessas ferramentas, mas elas são muito recentes”, diz.

A pesquisa ouviu 2.008 mulheres e homens em todo o Brasil, entre 8 e 9 de julho, respeitando a distribuição populacional do Censo 2022 e da Pnad 2025. As entrevistas qualitativas ouviram 60 pessoas entre junho e agosto, com foco em mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E, no Sudeste e Nordeste.

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Estadão

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