Abimaq: juro agrícola, na atual circunstância, não é ruim; problema é rentabilidade

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O presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, avaliou que, nas atuais circunstâncias, o patamar de juros do crédito rural não é o principal entrave para a tomada de financiamento pelo produtor, mas sim a baixa rentabilidade das lavouras. Segundo ele, o recuo das vendas de máquinas e implementos agrícolas ao longo do ano está ligado sobretudo ao aperto de margem em culturas como soja, milho e cana, pressionadas por preços internacionais mais baixos e por incertezas climáticas, o que tem levado produtores a adiar decisões de investimento.

Na leitura do executivo, mesmo linhas tradicionalmente usadas para aquisição de máquinas, como o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), e outras modalidades de financiamento rural deixam de ser determinantes quando o produtor não enxerga retorno econômico suficiente para justificar o investimento. A avaliação é que, com margens comprimidas, o problema central não é a taxa em si, mas a capacidade de pagamento e a previsibilidade de receita.

“A taxa de juros é alta para custeio, para investimentos. Temos que lembrar que o juro no Pronaf é de 5%, a linha da Finep é 9% e a do Moderfrota é de 11,5% a 12,5%. A gente sabe que isso é em função da baixa rentabilidade das principais culturas”, afirmou, ao relacionar a retração do mercado ao cenário de renda mais fraca no campo.

Ainda no tema do endividamento, Estevão disse considerar pouco provável que o governo abra uma nova rodada ampla de renegociação de dívidas para produtores afetados por eventos climáticos. Para ele, iniciativas desse tipo tendem a ser mais restritas e condicionadas a situações em que haja, de fato, comprovação de perdas relevantes por fatores climáticos.

Nesse sentido, o executivo afirmou que, no caso de Mato Grosso do Sul – onde, segundo ele, não houve impactos relevantes decorrentes de eventos climáticos no período -, não enxerga espaço para um programa de renegociação de dívidas específico. A avaliação é que, sem caracterização clara de adversidade climática, a adoção de medidas de alongamento e repactuação perde sustentação técnica e política.

A leitura de Estevão é que o setor deve observar mais de perto a recomposição gradual de margens no campo – via preços das commodities e câmbio – como vetor para destravar investimentos, inclusive em máquinas e implementos, do que esperar uma solução baseada em novas repactuações de passivos ou em alterações de juros do crédito rural, seja no Moderfrota ou em outras linhas.

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Estadão

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