África do Sul: BC mantém juros em 7% de olho em inflação com guerra EUA-Irã em fase ‘volátil’

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O Banco Central (BC) da África do Sul (Sarb, na sigla em inglês) manteve nesta quinta-feira (23) a taxa básica de juros em 7% ao ano, diante da incerteza provocada pela escalada do conflito no Oriente Médio, da alta dos preços do petróleo e dos riscos para a inflação. Quatro membros do comitê defenderam a manutenção dos juros, enquanto dois preferiram uma alta de 25 pontos-base.

Em comunicado assinado pelo presidente da autoridade monetária, Lesetja Kganyago, o Sarb afirmou que o conflito no Oriente Médio entrou em uma “nova e volátil fase”, destacando que o tráfego pelo Estreito de Ormuz oscilou nas últimas semanas e que o petróleo, que havia recuado para cerca de US$ 70 por barril no início do mês, voltou a subir para aproximadamente US$ 90.

Segundo o banco central, a guerra prejudicou cadeias globais de suprimentos e reduziu a renda das famílias, embora parte desses efeitos tenha sido compensada pelo forte ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA). Para a economia sul-africana, o Sarb observou que o crescimento do primeiro trimestre ficou próximo de 2% na comparação anual, acima do esperado, mas impulsionado principalmente pelas exportações, e não pela demanda doméstica.

A autoridade monetária avalia que a atividade deve desacelerar no segundo e no terceiro trimestres, refletindo o impacto da alta dos combustíveis sobre o consumo, a incerteza sobre os investimentos e problemas estruturais nos municípios. A expectativa é de retomada gradual do crescimento na segunda metade do ano, à medida que o choque externo diminua.

Em relação à inflação, o Sarb afirmou que os indicadores recentes ficaram “bem acima da meta”, principalmente em razão da alta dos combustíveis. A instituição espera que a inflação permaneça acima de 4% até o início do próximo ano e alertou que as expectativas inflacionárias aumentaram entre famílias, empresas e sindicatos. Diante desse cenário, o comitê considerou que a postura atual da política monetária permanece “apropriada”, mantendo os juros em nível “moderadamente restritivo”.

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Estadão

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