Agricultores protestam na França e pressionam Parlamento contra acordo Mercosul-UE

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Milhares de agricultores europeus, acompanhados por centenas de tratores, tomaram as ruas de Estrasburgo, na França, nesta terça-feira, 20, em mais um protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A mobilização ocorre em frente ao Parlamento Europeu, apenas um dia antes da votação decisiva que pode encaminhar o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para análise de legalidade.

Segundo estimativas da polícia local, o ato reuniu mais de 4.500 manifestantes, enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores (FNSEA), considerado maior sindicato agrícola da França, fala em cerca de 5 mil participantes vindos de 15 Estados-membros, incluindo França, Itália, Bélgica, Polônia e Espanha. A imprensa local reportou a presença de cerca de 700 a 1.000 tratores bloqueando acessos e concentrando-se nas imediações da sede do legislativo.

O protesto é uma resposta direta à assinatura do acordo, realizada no último sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelos líderes do Mercosul, apesar da forte oposição de setores agrícolas e de governos como o da França.

A manifestação reflete a insatisfação crescente do setor agropecuário do bloco, que teme a concorrência desleal e a importação de produtos sul-americanos sob padrões sanitários e ambientais distintos dos exigidos na Europa.

As lideranças rurais exigem que os deputados europeus utilizem os mecanismos legais disponíveis para frear a implementação do tratado. A votação agendada para a quarta-feira, 21, definirá se o Parlamento solicitará um parecer do TJUE sobre a compatibilidade do acordo com a legislação da UE. Caso o tribunal emita uma opinião desfavorável, o texto teria de ser renegociado ou modificado.

As entidades representativas do setor, como a Copa-Cogeca e a Asaja Nacional, reforçaram, em postagens no X, o discurso de que a Europa não pode ser rigorosa com seus produtores internos e permissiva com as importações.

O presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, afirmou durante o ato que a situação é insustentável e cobrou proteção à agricultura europeia. Além da questão do Mercosul, os manifestantes reivindicam uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e bem financiada para o período pós-2027, simplificação burocrática real e garantia de renda digna.

Região em conflito

A tensão política em Estrasburgo deve continuar ao longo da semana. Além da votação sobre o acordo comercial, o Parlamento Europeu analisará na quinta-feira, 22, uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de direita Patriotas por Europa, embora analistas considerem que a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

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Estadão

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