Algo terá que ser feito com o México, diz Trump após ataque à Venezuela
Após ordenar um ataque à Venezuela e prender o ditador venezuelano Nicolás Maduro neste sábado, 3, sob a justificativa de combater o narcotráfico, o presidente americano, Donald Trump, disse que “alguma coisa terá que ser feita com o México” diante da atuação de cartéis de narcotraficantes.
Em entrevista à emissora americana Fox News na tarde deste sábado, após a operação em território venezuelano, Trump foi questionado se a operação poderia ser vista como uma mensagem ao México e à sua presidente, Claudia Sheinbaum.
Trump declarou que “não era para ser” (uma mensagem), mas defendeu que alguma ação seja adotada em relação ao México porque os cartéis “estão comandando” o país.
Ele disse que a presidente mexicana é uma “boa mulher” e que ele poderia “ser político” e dizer que ela tem o controle do país, mas que isso não seria verdade.
“Os cartéis estão comandando o México; ela não está comandando o México. Ela tem muito medo dos cartéis. Eu perguntei a ela: ‘Você gostaria que nós eliminássemos os cartéis?’ e ela disse que não”, declarou.
“Temos que fazer alguma coisa, porque perdemos 300 mil pessoas para as drogas e elas entram principalmente pela fronteira sul (dos Estados Unidos), e alguma coisa vai ter que ser feita em relação ao México”, disse o presidente americano, durante a entrevista, sem detalhar se planeja alguma operação em território mexicano.
A presidente Claudia Sheinbaum não se manifestou sobre a declaração de Trump. Mais cedo, no entanto, ela condenou a operação militar americana na Venezuela.
Em sua conta na rede social X (ex-Twitter), ela disse que a Carta das Nações Unidas diz que “os Membros da Organização, em suas relações internacionais, se absterão de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas”.
Vale lembrar que, apesar de o narcotráfico ser um desafio para ambos os países, Venezuela e México vivem situações políticas totalmente diferentes.
Enquanto o país sul-americano vivia um regime autoritário comandado por Maduro há quase 13 anos até este sábado, com denúncias de fraudes em eleições que mantiveram o político no poder, Sheinbaum foi eleita democraticamente pelos mexicanos em 2024 para um mandato de seis anos. Um de seus principais desafios, no entanto, é justamente combater o crime organizado e a violência política no país.

