Amorim vê economia mais forte a partir de 2027 e diz que reforma pode fazer Brasil “voar”
O economista e palestrante Ricardo Amorim afirmou nesta quarta-feira, 21, durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), promovido pela Abrap na capital paulista, que sua expectativa para a economia brasileira “a partir de 2027” é positiva e que o País pode entrar em um ciclo mais forte de crescimento caso o governo aproveite ventos externos favoráveis e os efeitos da reforma tributária.
Na avaliação de Amorim, a combinação de um cenário internacional mais propício – com perspectiva de ajuste altista das commodities – e mudanças estruturais domésticas pode impulsionar a atividade.
“Dizem que Brasil é uma economia que tem voo de galinha. Eu digo que é voo de pipa. A galinha voa com as próprias asas. A pipa voa com o vento. Se o Brasil aproveitar o vento que vem de fora, a economia vai voar alto”, disse.
Ele apontou que o País tende a se beneficiar de uma melhora no ciclo de commodities e citou a expectativa de aumento das exportações de proteína animal nos próximos anos: “Vamos exportar muita carne.”
O economista também atribuiu papel central aos mecanismos previstos na reforma tributária para elevar a eficiência da arrecadação e reduzir a informalidade. Amorim afirmou que a implementação do split payment deve melhorar as contas públicas ao atacar a sonegação, ao separar e recolher automaticamente a parcela do imposto no momento do pagamento.
“A sonegação vai acabar”, disse, acrescentando que experiências internacionais apontam efeitos colaterais relevantes. Ele citou o caso da Itália, onde, segundo ele, após a adoção do modelo houve volta de dinheiro físico e fortalecimento de lojas físicas.
Na mesma linha, Amorim destacou o cashback como ferramenta para aumentar a formalização e, ao mesmo tempo, elevar a renda disponível das famílias de baixa renda. Segundo ele, ao exigir a emissão de nota para ter acesso ao benefício, o mecanismo estimula a conformidade tributária. “O cashback vai colocar mais dinheiro no bolso do pobre”, afirmou.
Com mais renda na base da pirâmide, Amorim projetou aceleração do consumo, com efeitos encadeados sobre o mercado de trabalho. “Com dinheiro entrando no bolso dos mais pobres, o consumo vai subir”, disse. Para ele, isso tende a elevar a demanda por mão de obra, pressionando a taxa de emprego e, em seguida, os salários. “O emprego vai aumentar e as empresas vão começar a oferecer salários mais altos para manter seus empregados e para ‘roubar’ trabalhadores dos concorrentes”, afirmou.
Amorim concluiu que, se o ganho de arrecadação e a redução de distorções tributárias vierem acompanhados de ajustes fiscais, o Brasil pode potencializar os efeitos da reforma e do cenário externo. “Com essa melhora na arrecadação, se o governo fizer ajustes, a economia brasileira vai voar”, disse.