Aneel aponta atuação insatisfatória da Enel durante apagão em SP

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Relatório técnico da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), divulgado nesta quarta-feira, 11, concluiu que foi “insatisfatória” a atuação da concessionária de energia elétrica Enel durante o apagão que deixou 4,4 milhões de imóveis da Grande São Paulo no escuro em dezembro de 2025. Aquele foi o terceiro grande blecaute vivido em São Paulo desde 2023. De acordo com o documento, houve “fragilidades na capacidade de resposta” da empresa.

A diretoria da autarquia aguardava a conclusão da análise para retomar a votação sobre recomendar ou não o fim do contrato da empresa.

A conclusão de que a atuação da Enel foi insatisfatória subsidia eventual decisão da diretoria da agência de recomendar o rompimento de contrato. Para defender o fim da concessão, eram necessários argumentos com base na área técnica da agência. Se o parecer indicasse que a empresa cumpriu suas obrigações, os diretores teriam dificuldade em recomendar a rescisão.

“Houve baixa produtividade das equipes, redução significativa de equipes durante o período noturno e madrugada, proporção baixa de veículos de grande porte e indícios de falhas ou falta de manutenção nas redes”, diz a nota técnica. “Apesar de a distribuidora ter disponibilizado mais de 1.500 equipes, verificou-se um elevado porcentual de equipes que não atuam com frequência no atendimento a ocorrências emergenciais.”

Seis dias sem energia

O documento destaca que a energia só voltou para todos os imóveis afetados pelo vendaval de 10 de dezembro às 10h47 do dia 16 – cerca de seis dias após o início da crise.

Em nota, a Enel diz cumprir integralmente suas obrigações e aponta que, em dezembro, restabeleceu o fornecimento mais rapidamente do que no apagão de outubro de 2024. “A empresa colaborou de maneira transparente com o regulador, apresentando dados técnicos que comprovam o cumprimento dos indicadores e as ações realizadas nos recentes eventos climáticos.”

Já a Aneel afirma, também em nota, que atua de “forma contínua e rigorosa” na fiscalização da Enel SP.

“Em 10 de dezembro, foi registrado um elevado quantitativo de interrupções, das quais algumas foram restabelecidas somente 5 dias após o início do evento”, aponta a área técnica da Aneel, destacando que 32% dos imóveis só foram atendidos mais de 24 horas depois do apagão.

Em nota, a Enel defende que 84% dos clientes tiveram a energia restabelecida em até 24 horas – e, em 48 horas, 95%.

Os técnicos da Aneel verificaram baixa produtividade e falta de domínio específico das equipes da Enel, além de usar equipamentos inadequados para solucionar as ocorrências.

O relatório critica a redução do número de trabalhadores fora do horário comercial. A distribuidora manteve força de trabalho semelhante aos dias sem blecaute, o que, segundo os técnicos da agência, “se mostrou incompatível com o evento”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Estadão

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