Aos 76 anos e nova Nobel de Literatura, luta boxe contra o Parkinson e é fã de Rosalía

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Aos 76 anos, a escritora canadense Anne Carson, nova vencedora do Nobel de Literatura, frequenta aulas de boxe e é fã da cantora espanhola Rosalía. Ela foi anunciada como escolhida pela Academia Sueca para receber a honraria na manhã desta quinta-feira, 8, “por sua obra ousada e criativa que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

Autora de livros como Autobiografia do Vermelho, Sobre o Que eu Mais Penso e Eros, O Doce-Amargo, ela contou sobre praticar o esporte em um artigo na revista literária The London Review of Books, no qual falou sobre seu diagnóstico de Parkinson e como ele mudou sua relação com a escrita e a caligrafia.

Na publicação, ela cita que, no século 20, neurologistas descobriam que os tremores causados pela doença poderiam ser acalmados por meio de ação física e mental. “Ou seja, por meio de exercícios físicos realizados com atenção mental deliberada e intensa”, escreveu ela, citando o boxe como atividade recomendada.

A escritora contou que frequenta as aulas três vezes na semana e que todos em sua turma têm Parkinson, com graus variados de comprometimento.

“A parte central de uma aula de boxe consiste em dar socos no saco de pancadas de acordo com uma combinação de números anunciados pelo treinador. Cada um de nós reproduz os socos que correspondem aos números. O ritmo é bastante acelerado. Percebo que, quando estou tentando executar uma combinação complicada de socos, consigo sentir os neurônios do meu cérebro se esforçando e lutando. Sei que isso parece loucura. Mas, como vimos anteriormente, essa fronteira entre o interior e o exterior não é tão simples assim”, explicou.

Também na The London Review of Books, em artigo de setembro deste ano, Anne Carson contou sua experiência em um show de Rosalía em Chicago, nos Estados Unidos. “A cada inspiração dela, toda a plateia gritava como se ela estivesse arranhando cada uma de suas espinhas com a unha, cada espinha. Aquela voz é capaz de tudo. E a persona desabrocha para contê-la. Imagine seduzir vinte mil pessoas assim todas as noites em uma turnê por Deus sabe quantas cidades… Eu não consigo”, refletiu.

No texto, a escritora disse que a voz da espanhola é uma “maravilha” e chamou de “uneasy” – palavra em inglês que significa algo como inquieto ou desconfortável – a “combinação entre a estrutura das canções pop e a emoção mística tradicional”.

A mescla entre o pop e a música clássica com referências religiosas marca a apresentação da cantora e seu disco mais recente, o elogiado Lux. Apesar de notar a alegria da plateia ao longo do show, Anne disse que não encontra “conforto com essas pessoas”, pois não há “euforia compartilhada” depois do show.

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Estadão

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