Após conversar com Hamas, negociador dos EUA se reúne com Netanyahu para tratar sobre Gaza

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O negociador dos Estados Unidos para o Oriente Médio e genro de Donald Trump, Jared Kushner, teve uma reunião de várias horas nesta segunda-feira, 17, com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, dias após o israelense rejeitar o plano de 15 pontos, apoiado por Washington, para avançar com o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza.

A reunião ocorreu após o encontro de duas horas de Kushner com o líder do grupo terrorista Hamas no Egito, enquanto os EUA pressionam pela aprovação do plano por Israel. Há muito em jogo, incluindo as vidas de cerca de 2 milhões de palestinos em Gaza, a reconstrução do enclave devastado pela guerra e seu futuro controle.

O Hamas afirmou ter concordado com o plano, que inclui o desarmamento, e pediu aos mediadores e ao Conselho da Paz, criado pelos EUA, que “obriguem” Israel a aderir ao acordo. Segundo o plano, Israel deveria se retirar gradualmente de Gaza. O país, porém, afirmou que o grupo terrorista precisa se desarmar completamente antes de qualquer retirada israelense.

As tropas israelenses ocupam cerca de 60% da Faixa de Gaza, e Netanyahu já ameaçou anteriormente controlar uma parcela maior do território. O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e o diretor do Conselho da Paz, Nickolay Mladenov, também participaram da reunião com Netanyahu, segundo uma fonte familiarizada com o assunto e uma fonte diplomática, que falaram sob condição de anonimato. Israel ainda não comentou publicamente o encontro.

Reunião ocorre após conversa de Kushner com Hamas

Kushner se reuniu no domingo, 16, com o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, no Cairo, para tratar do desarmamento, segundo um funcionário regional e um funcionário do grupo terrorista, que falaram sob condição de anonimato.

Funcionários dos países mediadores – Egito, Catar e Turquia – também participaram da reunião.

O funcionário do Hamas afirmou que o líder do grupo terrorista exigiu que Israel interrompa os ataques contra Gaza e se retire para a chamada “linha amarela”, que divide o território, antes do início da implementação do acordo.

A linha amarela nunca foi definida com precisão. As forças israelenses avançaram para além dela e agora controlam cerca de 60% de Gaza. Em maio, Netanyahu afirmou que o próximo passo seria ampliar o controle para 70%, com Israel “apertando o cerco” ao Hamas “de todas as direções”.

Países vizinhos aumentam pressão sobre Israel

Várias potências regionais, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, divulgaram uma declaração conjunta no domingo, na qual condenam a rejeição de Israel ao plano, afirmando que o país “agora é responsável por obstruir os esforços para levar a paz a Gaza”. Outros signatários incluíram Jordânia, Paquistão, Indonésia e os países mediadores do cessar-fogo.

A carta, assinada por ministros das Relações Exteriores, pediu ao Conselho da Paz e aos EUA que adotem “medidas imediatas e concretas” para impedir que qualquer parte obstrua a implementação do acordo. Israel não se manifestou até o momento.

Procurada, a Casa Branca encaminhou perguntas sobre as reuniões de Kushner ao Conselho da Paz, que não comentou. O Instituto Tony Blair também não se manifestou.

A visita gera esperança e dúvidas em Gaza

Enquanto alguns moradores de Gaza esperam que os esforços para implementar o plano levem ao fim da guerra iniciada pelo ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, outros permanecem céticos.

Mohammad Abu al-Qombuz demonstrou desconfiança em relação a todas as negociações e visitas que estão ocorrendo atualmente. “Uma conferência aqui e outra ali, são todas mentiras. Precisamos de uma solução definitiva que funcione para todos”, disse Abu al-Qombuz, que vive em um acampamento de tendas na Cidade de Gaza, parte da enorme população deslocada do território.

Segundo o acordo, o Hamas entregaria suas armas ao comitê tecnocrático palestino encarregado de supervisionar as operações cotidianas no território. O comitê ainda não entrou em Gaza.

Mas o Hamas vinculou a entrega de suas armas mais pesadas à criação de um Estado palestino, e o plano prevê a criação de um “caminho confiável para alcançar a autodeterminação e a formação de um Estado palestino”, algo que o atual governo de Israel rejeita.

Enquanto o acordo não for aprovado, outros elementos do cessar-fogo permanecem suspensos, incluindo a reconstrução e o envio de forças internacionais para separar as forças israelenses das áreas sob controle do comitê.

Netanyahu enfrenta uma eleição difícil em 27 de outubro, enquanto tenta permanecer no poder com uma coalizão que inclui ministros que adotam uma postura linha-dura em relação a Gaza, e não está claro se ele tomará medidas decisivas sobre o cessar-fogo antes da votação. (Com informações da Associated Press)

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Estadão

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