Após quebra de banco digital, paraguaios protestam e pedem prisão de presidente
Clientes aposentados e correntistas do banco digital Ueno Bank realizaram diversos protestos em Assunção, no Paraguai, e em Mburuvicha Róga, após Banco Central do país assumir o controle da instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do país.
Segundo o jornal ABC Color, houve confrontos com a polícia e pedidos de prisão contra o presidente Santiago Peña.
Os manifestantes se reuniram em frente ao Panteão Nacional dos Heróis, mas parte do grupo avançou em direção à sede do Congresso Nacional e foi contida pela Polícia Nacional. Outros cidadãos se reuniram em frente à residência oficial do presidente paraguaio.
O conselho do banco central votou por unanimidade na noite de segunda-feira, 2, para colocar o Banco Ueno em processo de resolução e entregar sua gestão a funcionários encarregados de avaliar suas finanças e proteger seus ativos. A intervenção deixou milhões de economias de clientes e centenas de milhões de dólares em fundos públicos em situação incerta.
A instituição tem aproximadamente 3 milhões de clientes, quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios. A intervenção tem como objetivo “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”, informou o Banco Central em comunicado.
Sob gritos de “devolvam tudo” e com faixas que carregavam a mensagem “o Estado deve garantir 100% dos recursos”, manifestantes direcionaram críticas à Peña, segundo informações do ABC Color. Os manifestantes exigiram a devolução do dinheiro do Instituto de Previdência Social (IPS) e dos fundos de aposentadoria que ficaram retidos na instituição financeira após a falência.
Em Assunção, longas filas de pessoas se formaram nesta terça-feira em frente às agências do Ueno Bank, na tentativa de retirar seu dinheiro. O Banco Central assegurou que os clientes com depósitos bloqueados na instituição “receberão um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis”, cerca de R$ 9.200.
O sistema bancário eletrônico já apresentava falhas desde segunda-feira, e as transações de pequenos poupadores foram bloqueadas.
“Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis (R$ 7,35). Todos devem ir para a prisão”, disse à AFP, em lágrimas, Marcelino Vergara, de 68 anos, que participava da manifestação.
Peña anuncia novo presidente do Banco Central do Paraguai
A medida foi tomada depois que o índice de solvência do Ueno, uma medida de seu capital em relação aos seus ativos ponderados pelo risco, caiu abaixo da metade do mínimo legal. A resolução permite que os reguladores transfiram os depósitos de um banco em dificuldades para outras instituições antes de liquidar seus ativos restantes.
Peña afirmou que nomeou Raúl Vera Bogado como novo presidente do Banco Central do Paraguai e dois novos diretores, Pedro Acosta e Étsel González. O anúncio foi feito em publicação nas redes sociais, após pedir a renúncia de Carlos Carvallo, que liderou a equipe anterior do Ueno antes de ser nomeado ao cargo de presidente do Banco Central.
Os promotores determinaram a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo, Federico Miguel Vázquez Villasanti, como parte de uma investigação sobre suspeita de abuso de confiança e outros crimes. Na tarde de terça-feira, outros dois diretores do banco foram detidos, segundo os promotores.
“Estou plenamente ciente de que milhares de paraguaios estão preocupados com os acontecimentos de ontem, decorrentes da decisão do Banco Central do Paraguai (BCP) de proceder à dissolução do Ueno Bank. Compreendo a incerteza que uma situação como essa causa e, acima de tudo, sei que por trás de cada poupança estão os esforços e o trabalho de milhares de paraguaios”, afirmou o presidente na publicação, em sua segunda aparição após a crise.
*Com informações de agências internacionais.