Ata: Copom debateu alterações no balanço de riscos, mas julgou apropriado seguir com serenidade
O Comitê de Política Monetária (Copom) informou que chegou a debater uma alteração no seu balanço de riscos para a inflação na reunião da última quarta-feira, 18, mas optou por não promover mudanças, diante da “incerteza elevada” no cenário. No comunicado da última reunião, o colegiado informou apenas que os riscos de alta e baixa “se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio.”
“Após debater alterações no balanço de riscos, o comitê julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada em relação à evolução de seus elementos”, explica o colegiado na ata do Copom de março, divulgada na manhã desta terça-feira (24) pelo Banco Central.
Economistas do mercado chegaram a considerar a possibilidade de o Copom tornar o seu balanço de riscos assimétrico para cima no último encontro, diante da disparada dos preços de petróleo no mercado internacional após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz. A autoridade monetária, no entanto, preferiu incorporar os efeitos pelo canal da incerteza.
O Copom continua mencionando três riscos de alta e três riscos de baixa para a inflação. Entre os vetores para cima, destaca a desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; maior resiliência da inflação de serviços, por causa de um hiato do produto mais positivo; e conjunção de políticas domésticas e externas com impacto inflacionário, por exemplo, via câmbio.
Entre os riscos para baixo, o comitê voltou a citar uma eventual desaceleração mais forte da economia doméstica; desaceleração global mais pronunciada por causa do choque de comércio mundial e de um cenário de maior incerteza; e redução dos preços de commodities com efeitos desinflacionários.

