Ata: Copom reafirma que cenário demanda serenidade e cautela na condução da política monetária
O Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou nesta terça-feira (11) que o cenário atual é marcado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base. Por isso, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
“O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, emendou.
As mensagens constam na ata da reunião de agosto do colegiado, publicada nesta terça-feira, 11. No encontro, encerrado na última quarta-feira, 5, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14,00%. Foi o quarto corte consecutivo.
Os juros já caíram 1,0 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cauteloso da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
Antes, o Copom manteve a Selic em 15% – o maior nível em quase duas décadas – por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.
O colegiado também reafirmou nesta terça-feira que a decisão de reduzir a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”
O Copom repetiu as projeções para a inflação já apresentadas no comunicado. O colegiado prevê alta de 5,1% para o IPCA em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, e de 3,8% em 2027. Para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, projeta alta de 3,2%.
Para os preços livres, prevê altas de 5,1%, 3,9% e 3,1%, respectivamente, nos períodos. Já para os preços administrados, projeta altas de 4,9%, 3,5% e 3,5%.
Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros do Relatório Focus (publicado em 3 de agosto) e bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027. A taxa de câmbio começa em R$ 5,10 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
