BCE: choque prolongado de energia deve elevar inflação e reduzir crescimento na zona do euro
O Banco Central Europeu (BCE) alertou nesta quinta-feira, 29, que a maior intensidade e duração do choque nos preços de energia devem elevar a inflação e enfraquecer o crescimento da zona do euro, à medida que efeitos indiretos e de segunda ordem se propagam pela economia. No comunicado de política monetária, a instituição observou que a alta da energia representa riscos de alta para os preços e de baixa para a atividade.
Apesar da pressão, o BCE ressaltou que a “inflação subjacente permaneceu relativamente estável até o momento” e que os salários ainda não mostraram reação significativa ao encarecimento energético.
O banco ponderou, contudo, que os efeitos completos do choque ainda não se manifestaram.
Em direção oposta, as condições de financiamento ficaram mais restritivas desde a última reunião, movimento que, segundo o BCE, tende a conter tanto a inflação quanto o crescimento. A autoridade reiterou o compromisso de estabilizar a inflação na meta de 2% no médio prazo.
O Conselho do BCE afirmou estar “bem posicionado para lidar com o atual cenário de elevada incerteza” e reafirmou que seguirá dependente dos dados, tomando decisões a cada reunião, sem se comprometer previamente com uma trajetória para os juros. Além das perspectivas de inflação e dos riscos associados, levará em conta a dinâmica dos preços subjacentes e a transmissão da política monetária.
O banco reiterou também que dispõe do Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI) para combater movimentos desordenados e injustificados nos mercados que ameacem a transmissão da política monetária pelo bloco.