BoE: Bailey diz que política monetária não evita impacto de choque de energia por guerra no Irã
O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a política monetária não é capaz de impedir que o choque de energia provocado pela guerra no Irã afete a economia e a inflação do Reino Unido, ressaltando os limites da atuação do banco central diante de choques externos.
Durante coletiva de imprensa após decisão de manter a taxa de juros inalterada em 3,75%, Bailey pontuou que o conflito tem “impacto significativo” nas projeções e deve levar a inflação a subir para pouco mais de 3,5% até o fim deste ano. O dirigente destacou que os efeitos indiretos iniciais tendem a aparecer com mais força nos preços de alimentos, refletindo o repasse do encarecimento da energia ao longo da cadeia produtiva.
O dirigente também apontou que a magnitude dos chamados efeitos de segunda ordem – quando o choque inicial se espalha para salários e preços – é “altamente incerta”. Nesse contexto, ele alertou que negociações salariais podem desempenhar papel relevante na propagação dessas pressões inflacionárias.
Bailey acrescentou que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, poderia mitigar parte do impacto econômico do conflito, ao aliviar tensões sobre a oferta global de energia. Ainda assim, reforçou que o cenário permanece sujeito a elevada incerteza, exigindo acompanhamento contínuo por parte do BoE.

