BofA: com dólar e juros nos EUA mais altos, gestores da AL elevam cautela sobre Brasil

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Os gestores de fundos da América Latina têm uma visão mais construtiva para México e Argentina, enquanto permanecem mais cautelosos em relação ao Brasil e ao México, aponta levantamento mensal do Bank of America (BofA) publicado nesta quarta-feira, 15. Questionados sobre se os dois últimos países podem ter desempenho acima do seus pares nos próximos seis meses, 30% avaliam que não. Em junho, esse porcentual estava abaixo de 10%.

A pesquisa foi realizada na semana passada, em meio à renovação das tensões geopolíticas após a retomada de ataques dos Estados Unidos ao Irã, destaca a equipe de economia e estratégia do BofA para o continente, liderada por David Beker. “Os investidores continuam a ver os juros mais altos nos EUA e um dólar mais forte como os principais riscos externos para as ações na América Latina”, destacam os analistas, em relatório.

O otimismo em relação à Bolsa brasileira diminuiu na passagem mensal: em junho, 31% dos ouvidos na pesquisa projetavam o Ibovespa acima de 190 mil pontos ao fim de 2026. Na edição atual, quase 50% dos participantes esperam que o índice encerre o ano em nível superior a 180 mil pontos. “Mas quase ninguém espera revisões para cima dos lucros no Brasil”, destaca a instituição. A expectativa de revisões para baixo, contudo, avançou de 40% em junho para 48% neste mês.

A maior cautela ocorre a despeito de grande parte (77%) dos investidores consultados projetar ao menos mais um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic ainda neste ano, ao passo que 54% preveem mais duas reduções desta magnitude. “Os investidores indicaram que expectativas de inflação mais baixas e uma melhora no cenário político seriam os principais catalisadores para um ciclo de afrouxamento mais agressivo”, aponta o BofA.

Em relação ao dólar, as previsões dos gestores também avançaram entre junho e julho. No mês anterior, mais de 40% dos ouvidos previa uma taxa de câmbio entre R$ 4,81 e R$ 5,10 no fim de 2026. Já agora, perto de metade deles prevê a divisa americana entre R$ 5,11 e R$ 5,40 em dezembro deste ano.

A enquete de julho entrevistou 31 gestores de fundos, com aproximadamente U$S 90 bilhões em ativos sob gestão.

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Estadão

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