Bolívia aprova empréstimo de US$ 1,9 bilhão com FMI e elimina subsídios ao diesel

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Legisladores bolivianos aprovaram na sexta-feira, 18, um empréstimo de US$ 1,9 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Trata-se de uma vitória do governo conservador em seus esforços para amenizar a profunda crise econômica do país, em um momento em que sindicatos ameaçavam retomar os protestos.

Poucas horas após a aprovação do empréstimo pelo Congresso, o presidente Rodrigo Paz anunciou o fim imediato dos subsídios ao diesel utilizado por caminhões, ônibus e tratores na Bolívia – uma medida para atender às exigências do FMI. A gasolina, usada principalmente em veículos particulares, continuaria subsidiada por enquanto, embora La Paz já tivesse reduzido esse apoio nos últimos meses.

O Senado ratificou o acordo com o FMI um dia após a aprovação pela Câmara dos Deputados, superando o último obstáculo legislativo para o programa de financiamento de três anos destinado a recompor as reservas internacionais em declínio e estabilizar a economia fragilizada, marcada por inflação alta e crescimento fraco. O FMI anunciou inicialmente o acordo em nível técnico em julho, após meses de negociações com o governo de Paz – favorável ao livre mercado -, que assumiu o poder no ano passado, encerrando quase duas décadas de governos socialistas, como parte de uma onda de novos líderes latino-americanos aliados à administração Trump.

O programa ainda precisa da aprovação da diretoria executiva do FMI para que os recursos sejam liberados. O ministro da Economia, Christian Morales, disse aos senadores que o acordo transmitiria maior confiança ao governo por parte de outros credores, incluindo o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, e ajudaria a obter cerca de US$ 5 bilhões em financiamento adicional.

No entanto, a assistência está condicionada a medidas econômicas rigorosas, incluindo a eliminação de subsídios aos combustíveis, que ameaçam reacender a agitação na Bolívia, onde semanas de bloqueios de estradas, em junho e julho, paralisaram grande parte da nação sul-americana enquanto manifestantes exigiam a renúncia de Paz. Na quinta-feira, o Congresso prorrogou por mais 90 dias o estado de emergência que Paz havia decretado para liberar as vias durante os protestos. A medida permite a intervenção militar e a suspensão de algumas liberdades civis.

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Estadão

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