Bolsonaro é internado em hospital de Brasília para cirurgia no ombro

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Imagem do post
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realiza na manhã desta sexta-feira, 1º, uma cirurgia no ombro direito no hospital DF Star, em Brasília. Segundo os relatórios médicos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro se queixa de “dores recorrentes e intermitentes” no local e precisa fazer uso diário de medicação analgésica. “Já estamos a caminho do hospital. Peço aos meus irmãos em Cristo que orem pelo procedimento cirúrgico do meu galego. Cremos, pela fé, que já deu tudo certo”, escreveu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais por volta das 7h desta sexta.

O procedimento foi autorizado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, após pedido da defesa em 21 de abril. No último dia 24, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou por “não se opor” ao pedido de realização de cirurgia. Em 27 de março, o ex-presidente teve a prisão domiciliar humanitária concedida por 90 dias por Moraes para sua recuperação, após ter alta do hospital. Em março, Bolsonaro foi diagnosticado com “broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa” e precisou ficar internado em tratamento intensivo por duas semanas.

Entenda dores

De acordo com a defesa, Bolsonaro “apresenta quadro de dor persistente e incapacidade funcional” no ombro direito. “O exame físico e os exames de imagem indicam lesão de alto grau do tendão do supraespinhal, com retração importante, comprometimento do terço superior do tendão do subescapular, subluxação da cabeça longa do bíceps e lesões associadas, contexto em que foi formalmente indicado procedimento cirúrgico para fixação das lesões do manguito rotador do ombro direito e lesões associadas, por via artroscópica”, cita a defesa.

De acordo com Eduardo Angeli Malavolta, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em termos mais simples, o quadro descrito no laudo aponta para uma lesão importante em dois tendões do manguito rotador. João Roberto Polydoro Rosa, ortopedista do Centro Especializado em Ortopedia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, detalha que o manguito rotador é um conjunto de músculos e tendões que se ligam no ombro e são fundamentais para produzir o movimento do braço.

Segundo Malavolta, dores nessa região podem ocorrer por degeneração progressiva dos tendões, associada ao envelhecimento, ou por sobrecarga repetitiva, como atividades realizadas acima da cabeça, esforço físico, prática esportiva e traumas específicos. No caso de Bolsonaro, o tendão do músculo supraespinhal (ou supraespinal), está afetado com lesão de alto grau e retração: o tendão foi rompido de forma relevante e recuou em relação ao local de origem. O subescapular, outro tendão de importância no ombro, está comprometido de forma parcial.

O tendão da cabeça longa do bíceps também está afetado, com deslocamento parcial de seu leito normal. “Em conjunto, isso sugere um quadro estrutural complexo, que costuma causar dor, perda de força e dificuldade para elevar ou rodar o braço. Nesse contexto, a indicação cirúrgica costuma ser considerada pertinente”, pontua Malavolta. Outros fatores reforçam a indicação de cirurgia: a gravidade da lesão, o recuo do tendão em relação ao local de origem, o fato de mais de uma estrutura ser atingida e a perda de qualidade do ombro como um todo. Quanto maior ou mais complexa a lesão, maior a chance de os sintomas persistirem sem a operação, segundo o presidente da SBCOC.

De acordo com Rosa, a cirurgia artroscópica por vídeo é considerada o padrão-ouro para esse tipo de lesão. “Nesse procedimento, você consegue reparar os tendões do ombro e utilizar uma tipoia no pós-operatório para proteção e recuperação”, diz. A tipoia, ele explica, costuma ser usada por seis semanas e depois disso tem início a fisioterapia. Sandro da Silva Reginaldo, 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (Sbrate), informa que a operação, incluindo o processo de preparação, dura entre uma e duas horas e meia, variando conforme o grau da lesão.

Antes da cirurgia, outras medidas podem ser adotadas, como o uso de remédios para dor e inflamação, fisioterapia, adaptação das atividades do dia a dia e infiltrações, conforme cada caso. No entanto, quando a lesão é grave e compromete o funcionamento do ombro, a cirurgia passa a ser a opção mais adequada, pois já não se trata de uma inflamação e, sim, de uma causa estrutural.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.