Bolsonaro tem melhora nas últimas 24h, mas não há previsão de receber alta da UTI

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou melhora nas últimas 24h, mas ainda não há previsão de receber alta da UTI, conforme boletim médico divulgado pelo hospital DF Star na manhã desta segunda-feira, 16. O ex-presidente permanece internado, mas está demonstrando “recuperação da função renal e melhora parcial dos marcadores inflamatórios”, com o uso de antibióticos.

Ainda segundo o hospital, Bolsonaro “segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”.

O boletim médico é assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini, pelos cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, pelo coordenador da UTI Geral Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr. e pelo diretor-geral do Hospital DF Star, Allisson B. Barcelos Borges.

Segundo o boletim médico divulgado no domingo, 15, “houve necessidade de ampliar a cobertura dos antibióticos” do tratamento do ex-presidente em decorrência de uma “nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue”. Já nesta segunda, os médicos afirmam que há “resposta favorável à antibioticoterapia instituída”.

O ex-presidente foi internado na manhã de sexta-feira, 13. Segundo os médicos, os exames confirmaram “broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa”, ou seja, uma infecção bacteriana nos dois pulmões, causada pela entrada de líquido do estômago ou da boca nas vias respiratórias.

Ele foi atendido na prisão pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por volta das 8h. Em nota enviada ao Estadão, o Samu informou que o ex-presidente apresentava “caso clínico sugestivo à pneumonia queixando-se de falta de ar”. Ele chegou ao hospital DF Star por volta das 9h, em uma operação do Samu em conjunto com o Corpo de Bombeiros e com apoio da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

No hospital, os exames confirmaram o quadro. O médico Brasil Caiado disse a jornalistas na saída do hospital na última sexta que essa foi a “maior pneumonia que Bolsonaro já teve”. O ex-presidente chegou à UTI com água nos pulmões, causadas pela aspiração de líquido do estômago, em decorrência dos soluços frequentes que ele apresenta.

“Pelo passado dele de várias comorbidades, e a principal delas, neste caso, nós suspeitamos, é esofagite, a gastrite e o refluxo gastroesofágico. Este refluxo, quando é aspirado para o pulmão, causa uma pneumonia aguda, grave”, explicou o médico. Segundo Brasil Caiado, a broncopneumonia bacteriana bilateral está mais acentuada do lado esquerdo.

“Em geral, (o tratamento é com) antibiótico, terapia venosa. Em quadro de pneumonia grave bilateral, você pode estimar por mais de sete dias, oito, dez, doze (de internação), mas é impossível falar”, afirmou. “Temos que nos antecipar a qualquer tipo de probabilidade de complicação. Depende muito da resposta do organismo dele ao antibiótico”, completou.

Bolsonaro está detido no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder após as eleições de 2022.

O filho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou no sábado, 14, que a defesa de Bolsonaro aguarda a elaboração de um novo laudo médico para solicitar novamente à Justiça a concessão de prisão domiciliar. A declaração foi dada após visita ao pai no hospital.

Segundo Flávio, o pedido será fundamentado no agravamento recente do quadro de saúde e na necessidade de acompanhamento contínuo do ex-presidente. O senador disse que, apesar de Bolsonaro ser “muito bem tratado” onde está custodiado, passa longos períodos sozinho, o que representaria risco diante dos efeitos colaterais dos medicamentos e de eventuais emergências médicas.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.