Bom humor após Trump estimula alta e Ibovespa vai a 175 mil pontos pela 1ª vez da história
Já na largada desta quinta-feira, 22, o Ibovespa saltou mais de mil pontos em poucos minutos de abertura, quando iniciou na mínima em 171.817,23 pontos. Por volta das 11h30, tocou o nível psicológico importante dos 175 mil pontos. Essa marca inédita reflete o bom humor internacional, após sinais de apaziguamento nas relações entre Estados Unidos e Europa. De um total de 85 papéis da carteira, só Petrorecôncavo caía (1%), em meio ao declínio do petróleo no exterior.
Em meio ao movimento externo, questões internas também estimulam o apetite por risco, dada a perspectiva de início da queda da taxa Selic em breve, pontua Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. “A tendência positiva para a Bolsa deve continuar, pois espera-se corte dos juros, em meio a expectativas de uma taxa de inflação cada vez menor”, diz.
No Fórum Econômico em Davos, na Suíça, o anúncio feito ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma estrutura para um acordo futuro sobre a Groenlândia e a afirmação de que não usará força militar na ilha, que pertence à Dinamarca, estimulou o apetite por risco na véspera. Hoje, o republicano volta a falar no fórum.
Na agenda externa, foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e a leitura mensal da inflação medida pelo PCE. No Brasil, saiu a arrecadação relativa a dezembro e de 2025.
O PIB norte-americano teve alta anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, conforme o previsto. O PCE, índice de preços de gastos com consumo do país mostrou ritmo anualizado de 2,8% no terceiro trimestre. O resultado ficou em linha com a primeira leitura de alta a 2,8% e confirma uma aceleração comparado ao avanço registrado no trimestre anterior, de 2,1%. Já o núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, teve alta de 2,9% no período, igual à primeira leitura, de 2,9%, e ante aumento de 2,6% no segundo trimestre. Ainda tem o balanço da Intel.
Já no Brasil, a arrecadação de impostos e contribuições federais fechou 2025 em R$ 2,887 trilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira. O montante representa alta de 3,65% na comparação com 2024, descontada a inflação do período. Segundo o órgão, é a maior arrecadação anual desde 2000.
“É fluxo positivo”, diz Pedro Cutolo, estrategista da One Wealth Management. Diante de incertezas internacionais, motivadas pelo estilo de Trump de governar, muitos investidores têm buscado outros mercados para alocar recursos, como o Brasil, pontua. “Sobe mais pelo relativo. Alguns fogem dos Estados Unidos, que não têm tantas alternativas nesse momento de dúvidas”, afirma.
Apesar da indicação de apaziguamento nas relações entre EUA e Europa, ainda não há detalhes sobre o acordo e as negociações continuam, o que pesa sobre cotações do petróleo para baixo.
Além do acordo, Trump suspendeu tarifas contra oito países europeus que entrariam em vigor em fevereiro, embora sem detalhar os termos. O republicano ainda disse ter reduzido para apenas um único nome a lista de candidatos ao cargo de presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), elogiando particularmente o diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder.
Ontem, em Wall Street, as bolsas subiram acima de 1%. No Brasil, o Índice Bovespa fechou em nova máxima histórica pela segunda sessão seguida. Subiu 3,33%, aos 171.816,67 pontos.
Às 11h34 desta quinta, o Ibovespa subia 1,88%, aos 175.050,38 pontos, na máxima, ante mínima de abertura em 171.817,23 pontos. O giro financeiro no fim da sessão indicava cerca de R$ 33 bilhões, acima da média diária.
Nesta manhã foi divulgada pesquisa AtlasIntel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve aprovação estável em relação ao mês passado. De acordo com o levantamento, 50,7% desaprovam o presidente, enquanto 48,7% aprovam. O porcentual é quase idêntico ao de dezembro, quando 50,7% desaprovavam e 48,8% aprovavam.

