Câmera de monitoramento capta parte da ação do ICE que resultou na morte de colombiano nos EUA

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Um agente do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) atirou e matou um homem que estava em um veículo na manhã de segunda-feira, 13, em Biddeford, no Estado do Maine. Parte da ação foi registrada por uma câmera de monitoramento.

Foi o segundo episódio fatal em uma semana, em meio ao endurecimento da política de imigração do governo norte-americano de Donald Trump, e o mais recente de uma série de confrontos entre agentes e pessoas que estavam em carros.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) informou, em comunicado, que agentes do ICE monitoravam o que acreditavam ser a residência de uma pessoa em situação irregular no país e contra quem havia uma ordem de deportação.

O que a câmera de monitoramento mostra?

Uma câmera de monitoramento registrou parte da ação do ICE, que ocorreu por volta das 7h19 no horário local. Nas imagens, é possível ver um SUV e um sedã colidindo em uma esquina. Na sequência, pelo menos três agentes se aproximam da porta do motorista do sedã e apontam as armas para ele.

Alguns segundos depois, os policiais conseguem abrir a porta e retiram o motorista de dentro do veículo. O homem cai no chão e é colocado na calçada pelos agentes. Não ficou claro no vídeo em que momento os tiros foram disparados.

Imagens do local mostram que o para-brisa do sedã foi atingido por pelo menos quatro tiros.

A cena foi testemunhada pelo cuidador e desenhista Daniel Boucher. O homem relatou ter ouvido um som de “pop, pop, pop”, ido até a janela de seu apartamento e visto a colisão entre os carros. Ele também afirmou ter visto um agente do ICE descer do SUV e retirar o motorista de dentro do veículo.

Segundo a testemunha, o homem tinha sangue no rosto e na cabeça. “Eu ouvi claramente a vítima dizer: ‘Eu tentei impedir'”, disse Boucher.

Quem era a vítima?

O homem foi identificado como Joan Sebastian Guerrero, de 26 anos, segundo Matthew Felling, porta-voz do senador Angus King, do Maine.

A Coalizão pelos Direitos dos Imigrantes do Maine e a Presente!, grupos de defesa dos direitos dos imigrantes, afirmaram que Guerrero era colombiano e tinha autorização para trabalhar nos EUA.

A Embaixada da Colômbia informou estar em contato com as autoridades americanas sobre a morte do colombiano e que “está prestando a assistência consular necessária à sua família”.

Segundo relatos de vizinhos, o homem tinha uma mulher e uma filha pequena.

O que diz o governo americano?

O DHS afirmou, em comunicado divulgado quase 12 horas após o episódio, que agentes do ICE monitoravam um endereço ligado a uma pessoa com uma ordem final de remoção do país. Segundo a pasta, os policiais tentaram parar um carro que saía do imóvel, mas o “veículo tentou fugir do local e, temendo pela segurança pública, um agente disparou sua arma”.

Antes do comunicado do DHS, King havia dito que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, informou que o agente atirou depois que o homem tentou usar o veículo como arma contra os policiais.

Questionado sobre as declarações contraditórias, o senador disse à emissora americana CNN que é para isso que serve a investigação. “Esse jovem realmente tentou atropelar um agente do ICE ou ele estava em risco de atropelar outras pessoas na rua?”, disse King. “Havia uma expectativa razoável de lesão corporal ou uso de força letal que justificasse esse disparo?”

Segundo o senador, Mullin também informou que os policiais estavam em Biddeford para cumprir um mandado de prisão, mas que Guerrero não era a pessoa procurada. Ele acrescentou que os agentes envolvidos não usavam câmeras corporais.

O gabinete do procurador-geral do Maine, que investiga o caso, afirmou que as informações iniciais apontam que o motorista tentava fugir na direção do agente. O órgão informou que o policial que atirou foi afastado de suas funções.

O caso também é investigado pelo gabinete do Inspetor-Geral do DHS, em cooperação com o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês).

Segundo caso em uma semana

Guerrero foi a segunda pessoa morta em uma ação do ICE na última semana.

Na terça-feira, 7, um agente do ICE atirou e matou o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, em Houston, no Texas, depois que policiais federais em veículos sem identificação o perseguiram enquanto ele levava sua equipe de construção para um local de trabalho.

Araujo tinha três filhos e vivia no país havia mais de 30 anos sem status legal, mas não era o alvo inicial dos agentes que perseguiram seu veículo.

Os tiroteios ocorrem em meio aos esforços do governo Trump para implementar sua agenda de deportações em massa. Durante o período de cinco dias no fim de junho, o ICE prendeu mais de 10 mil pessoas.

Os números indicam que, embora o governo não esteja mais realizando operações de repressão contra cidades específicas, as prisões estão aumentando. Os esforços de fiscalização do governo foram amplamente condenados no último inverno [no Hemisfério Norte] após as mortes de Alex Pretti e Renee Good, em Minnesota.

*Com informações das agências internacionais.

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Estadão

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