Captações no mercado de capitais crescem 15,7% no 1º tri e batem recorde, diz Anbima

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

As captações no mercado de capitais doméstico cresceram 15,7% e bateram recorde no primeiro trimestre, somando R$ 180,1 bilhões, de acordo com números divulgados nesta quinta-feira, 23, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As ofertas de ações voltaram a acontecer e ajudaram a puxar o crescimento.

As ofertas de renda fixa somaram R$ 143,5 bilhões entre janeiro e março, uma leve queda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. Já os instrumentos híbridos, como os fundos imobiliários e os Fiagros, somaram R$ 23,4 bilhões, expansão anual de 138%.

As ofertas de ações somaram R$ 13,2 bilhões, e já representam 85% de todo o volume de 2025, segundo a Anbima. No primeiro trimestre de 2025, as empresas levantaram apenas R$ 1,2 bilhão com ações.

As debêntures, que vinham contribuindo para os recordes do mercado de capitais nos últimos trimestres, andaram mais de lado no começo de 2026. Foram mais operações, mas de menor valor, o que fez o volume cair. As captações somaram R$ 99,3 bilhões, ante R$ 103,4 do primeiro trimestre de 2025. Em número de ofertas, foram 153 agora contra 127 há um ano.

Ainda nas debêntures, os títulos incentivados, voltados para investimentos em infraestrutura, representam 43,8% do volume captado no segmento, acima da média de períodos anteriores. No primeiro trimestre de 2024, por exemplo, o porcentual era de 27,6% e no de 2023, de 11%.

O presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão, ressalta que a renda fixa dividiu um pouco do espaço que vinha ocupando em períodos anteriores com ações e os instrumentos híbridos. “Foi um trimestre um pouco diferente, com mudança de mix, mas foi forte”, disse a jornalistas.

Captações externas

De acordo com a Anbima, as captações no mercado externo somaram US$ 8,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, abaixo dos US$ 12 bilhões de igual período de 2025.

Guilherme Maranhão ressalta que o governo brasileiro tem sido frequente no mercado externo, mas as companhias brasileiras também têm conseguido acessar o exterior, apesar de um ambiente mais volátil.

No primeiro trimestre, só o Tesouro captou US$ 4,5 bilhões, pouco mais da metade do volume levantado. Neste mês, voltou a acessar o mercado externo, agora para uma oferta em euros, levantando 5 bilhões de euros.

Para Maranhão, as captações externas devem continuar forte este ano. Sobre eventuais efeitos nessas operações dos problemas financeiros de grandes empresas brasileiras, o executivo da Anbima ressalta que emissores frequentes no exterior tendem a não ter maiores problemas para captar. No caso de um emissor que vai acessar o mercado pela primeira vez, essa empresa pode ser alvo de um escrutínio maior.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.