Cautela externa e doméstica empurram Ibovespa para baixo; só 5 ações sobem, de 76
A aversão ao risco no exterior, somada à indefinição eleitoral no Brasil, empurra o Ibovespa para baixo na sessão desta quinta-feira. Lá fora, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã impulsiona o petróleo. O Brent tocou máxima em US$ 112,68 o barril, influenciando pontualmente as ações do setor nesta manhã.
Após alta, os papéis da estatal passaram a cair com força, diante da disputa apertada pela Presidência da República, no segundo turno, no domingo, como apontam as pesquisas. Além disso, o recuo de 1,62% do minério de ferro em Dalian reforça o quadro cauteloso.
A falta de planos fiscais concretos dos candidatos também mantém o ambiente parcimonioso, devido ao aumento das preocupações com o rumo das contas públicas do País nos próximos anos. Hoje, o destaque da agenda é a arrecadação federal de setembro, além do balanço do Bradesco, que sai após o fechamento dos mercados. No exterior, a pressão negativa vem também do recuo das ações da Tesla, Meta e IBM depois de divulgar balanços na véspera.
O movimento, segundo Matheus Spiess, da Empiricus Research, reflete uma combinação de ansiedade doméstica, em meio à proximidade do segundo turno da eleição presidencial, com exterior pressionado. Conforme ele, a ausência de dados dos Estados Unidos e de falas de autoridades monetárias, dado o período de silêncio do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), deixa os mercados sem vetores. “Questões geopolíticas acabam ganhando mais relevância e, no Brasil tem o aditivo do período eleitoral”, afirma.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,86%, aos 206.495,23 pontos, após a pesquisa Quaest mostrar disputa eleitoral mais acirrada. Hoje saíram o levantamento Indexa/Broadcast e PoderData/Aya.
“O mercado acompanha o exterior e também há um pouco de cautela em relação às últimas pesquisas eleitorais, de menor distanciamento entre os candidatos”, reforça Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Segundo a pesquisa Indexa/Broadcast, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 45,2% das intenções de voto, ante 44,1% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma simulação estimulada de segundo turno. Na comparação com a rodada anterior, o senador oscilou 1,6 ponto porcentual para cima nos votos totais, pois havia registrado 43,6%, enquanto o presidente Lula moveu 2 pontos porcentuais para cima, quando marcou 42,1%.
Já a pesquisa PoderData/Aya mostra que o senador mantém 49% das intenções de voto totais no segundo turno, enquanto Lula passou de 46% para 48%.
Após abertura aos 206.492,22 pontos, estável, o Ibovespa renovou máxima em 206.493,11 pontos e mínima a 203.361,78 pontos (-1,52%).
Às 11h42, cedia 1,44%, em 203.513,73 pontos. De 76 ações, só cinco subiam.