Claudio Carsughi, lendário jornalista esportivo, morre aos 93 anos
Claudio Carsughi, célebre jornalista e comentarista esportivo ítalo-brasileiro, morreu nesta quinta-feira, 10, aos 93 anos. A informação foi divulgada pela filha, Claudia Carsughi, em publicação feita nas redes sociais.
“Meu pai acabou de partir depois de 27 dias lutando contra uma infecção respiratória. Ele agora está em paz junto aos nossos antepassados. Pedimos aos fãs que orem por ele”, disse.
Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Claudio Carsughi mudou-se para o Brasil com a família em 1946. Em São Paulo, ele estudou no Colégio Dante Alighieri e cursou Engenharia Civil na Escola Politécnica da USP. Apesar da formação, sua o interesse pelo jornalismo falou mais alto e acabou mudando de carreira.
Aos 13 anos, Carsughi passou a colaborar como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport, acompanhando a movimentação no Brasil durante a Copa do Mundo de 1950. Passou pela Rádio Cultura de Poços de Caldas e, em 1957, chegou à Rádio Panamericana, que mais tarde se tornaria a Jovem Pan. A partir de 1958, começou a atuar na emissora como comentarista de futebol e Fórmula 1, além de abordar assuntos relacionados ao setor automobilístico. A rádio se transformaria em sua principal casa profissional durante mais de 60 anos.
Na imprensa escrita, Carsughi trabalhou no Jornal da Tarde e na revista Placar, além de colaborar com publicações estrangeiras como Tuttosport e La Stampa. Entre 1974 e 1990, comandou a área dedicada a testes e avaliações técnicas de veículos da revista Quatro Rodas. Ao longo desse período, analisou modelos que marcaram diferentes momentos da indústria brasileira, da Romi-Isetta, em 1956, ao Volkswagen Gol e ao Polo. Mais tarde, manteve sua atuação no segmento automotivo em publicações como Oficina Mecânica e Auto&Técnica.
Carsughi esteve presente em cinco edições consecutivas da Copa do Mundo, entre 1970 e 1986, pela Jovem Pan. Também foi um dos pioneiros no uso de números e estatísticas como recurso durante as transmissões de futebol. Na Fórmula 1, ganhou reconhecimento pela capacidade de interpretar os aspectos técnicos dos carros e as decisões estratégicas das equipes.
Um dos momentos mais marcantes de sua carreira aconteceu em 1994, quando, acompanhando por rádio de ondas curtas a transmissão italiana sobre o acidente de Ayrton Senna, foi o primeiro jornalista no Brasil a anunciar ao vivo a morte do piloto.
Ao longo das décadas, Carsughi acompanhou as transformações da comunicação e expandiu sua atuação para diferentes plataformas. Trabalhou na televisão, com passagens pela ESPN e pelo SporTV, e posteriormente levou seu trabalho para a internet, criando o Site do Carsughi em 2012 e mantendo colunas no UOL.
Em 2025, Claudio Carsughi recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição que prestou ao jornalismo e ao automobilismo brasileiro.
