Coalizão Clima, Florestas e Agricultura apresenta 8 propostas centrais aos presidenciáveis
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura está apresentando aos presidenciáveis nas eleições de 2026 um conjunto de oito propostas consideradas centrais na agenda de desenvolvimento. Defende-se, por exemplo, que a criação e o aperfeiçoamento de instrumentos financeiros para o setor agropecuário, precisam estar condicionados à implementação do Código Florestal e ao estímulo de práticas produtivas sustentáveis.
“Ao ampliar linhas de financiamento sustentáveis e inclusivas, é possível reconhecer produtores que cumprem a legislação ou que avançam na regularização ambiental e fundiária”, diz o grupo.
Há ainda preocupação significativa e crescente com os eventos climáticos extremos e a repercussão disso para o setor agrícola – especialmente no endividamento e na inadimplência de produtores rurais. Iuri Cardoso, coordenador de Advocacy da Coalizão, defende como uma das soluções o fortalecimento do seguro rural.
A entidade, com 10 anos de atuação, conta com mais de 400 representantes do setor privado, do setor financeiro, da academia e da sociedade civil. O foco é apresentar as proposições para os três mais bem colocados nas pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.
Já houve um encontro com a campanha do presidente Lula. Na semana que vem, há perspectiva de encontro com os outros presidenciáveis ou seus representantes. A ideia, neste momento, é apresentar os temas de forma geral e, após a eleição, buscar a construção de uma agenda detalhada.
Veja as propostas:
– Erradicar o desmatamento ilegal, estancar a perda de vegetação nativa e fortalecer o manejo integrado do fogo;
– Promover o ordenamento fundiário e acelerar a implementação do Código Florestal;
– Instituir a rastreabilidade socioambiental para ampliar mercados e valorizar a produção sustentável;
– Ampliar o financiamento rural para estimular a produção sustentável;
– Expandir boas práticas agropecuárias e reduzir vulnerabilidades produtivas;
– Valorizar as cadeias nacionais para a produção de biocombustíveis e outros derivados da biomassa;
– Aprimorar instrumentos que geram valor econômico à vegetação nativa;
– Consolidar uma nova economia florestal para o País.
Código Florestal, seguro rural, biocombustíveis
A Coalizão defende, especificamente, o avanço no processo de destinação das florestas públicas e na regularização fundiária. Essas seriam medidas tidas como decisivas para reduzir conflitos, ampliar a segurança jurídica e destravar investimentos no campo. “Esse processo, aliado à demarcação de terras indígenas e amparado por um efetivo cadastro territorial rural, gera ganhos econômicos e produtivos, facilita o acesso ao crédito e ao comércio e reforça a posição do Brasil como potência agrícola e florestal”, analisa o relatório da coalizão.
O grupo também defende que os biocombustíveis devem permanecer “no centro da estratégia nacional” nas próximas gestões, com ampliação de investimentos em inovação, pesquisa e no desenvolvimento de novas rotas. São mencionados, como prioridade, o biodiesel e os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), além da diversificação de matérias-primas, como a macaúba.
“O País deve também investir em gerar derivados da biomassa que substituam derivados da indústria petroquímica, como solventes, fertilizantes, polímeros, entre outros, ajudando assim a acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis”, avalia a Coalizão.
Neste momento, uma série de representantes do setor privado e/ou entidade sem fins lucrativos está apresentando propostas aos presidenciáveis. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, além de dialogar com os candidatos à Presidência da República, também busca atuar com os entes federativos e o Congresso Nacional.
