Com estoque de defesa antimíssil em baixa, Israel enfrenta mais riscos em novo conflito com Irã
O novo conflito entre Israel, Estados Unidos e o Irã aumenta a pressão sobre o estoque de interceptores de mísseis balísticos israelense, que foi significativamente reduzido em 2025 após a chamada guerra dos 12 dias entre os dois países, que colocou sob estresse o sofisticado sistema de defesa antimíssil israelense.
Em paralelo, o arsenal americano de mísseis antibalísticos terrestres e marítimos, que forneceu uma proteção adicional vital para Israel durante a guerra, também enfrenta um problema similar.
A questão é preocupante: com novos ataques iranianos,as forças israelenses e americanas conseguirão localizar os lançadores inimigos com rapidez suficiente e destruir mísseis suficientes em solo antes que suas próprias defesas aéreas fiquem sem interceptores?
“Tenho ouvido generais, jornalistas e ministros dizendo: ‘Não, estamos bem'”, disse Ran Kochav, ex-comandante das forças de defesa aérea e antimíssil de Israel, referindo-se aos comentários otimistas generalizados na televisão israelense recentemente. “É uma falsa sensação de segurança.”
O que ele chamou cautelosamente de “problemas de estoque” de Israel pode custar caro ao país. “Não existe um lugar seguro automático”, diz ele.
Embora o sistema Domo de Ferro seja talvez o componente mais conhecido da defesa aérea de Israel, ele foi projetado para interceptar o tipo de foguete de curto alcance disparado pelo Hamas. Outros sistemas são mais adequados em um conflito com o Irã ou o Hezbollah no Líbano.
O sistema Estilingue de Davi intercepta mísseis de médio a longo alcance que não atingem altitudes muito elevadas. O Arrow 3, desenvolvido em conjunto pela Boeing e pela Israel Aerospace Industries, é usado contra mísseis balísticos de longo alcance em altitudes acima da atmosfera terrestre.
Os Estados Unidos ajudaram a defender Israel durante o conflito com o Irã em junho com duas baterias terrestres do sistema de Defesa Terminal de Área de Alta Altitude (THAAD) e com vários destroieres Aegis, cujo armamento inclui mísseis antibalísticos SM-3.
Trabalho bem-sucedido
As defesas aéreas dos dois aliados operaram em conjunto e de forma integrada, segundo todos os relatos, com resultados impressionantes. Dos 574 mísseis balísticos lançados pelo Irã, apenas 49 atingiram alvos significativos, de acordo com um relatório sobre o conflito de junho de 2025 elaborado pelo Instituto Judaico para a Segurança Nacional da América (JINSA), uma organização de pesquisa sediada em Washington. Alguns mísseis iranianos falharam ou atingiram áreas desprotegidas.
Israel e os Estados Unidos tentaram interceptar 322 mísseis iranianos e conseguiram interceptar 273, uma taxa de sucesso de 85%.
No entanto, os 100 a 250 interceptores THAAD lançados pelos Estados Unidos representavam de 20% a 50% de todo o arsenal do Pentágono, e os 80 mísseis SM-3 utilizados constituíam quase um quinto do estoque militar no final de 2025, de acordo com um relatório de dezembro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
“Esse foi um esforço defensivo impressionante, mas também mostrou que nossos estoques básicos eram muito baixos”, disse Ari Cicurel, autor do relatório da JINSA.
Produção insuficiente?
Em janeiro, o Pentágono decidiu quadruplicar a produção anual de interceptores THAAD, de 96 para 400. Mas, segundo especialistas, a produção dos interceptores Arrow 3 e SM-3 fabricados nos Estados Unidos é extremamente lenta, em torno de 24 unidades por ano para cada um.
O estoque e a taxa de produção do Arrow 3 em Israel são mantidos em sigilo.
Ainda assim, Tal Inbar, pesquisador sênior israelense da Aliança de Defesa de Mísseis (Missile Defense Advocacy Alliance), disse: “Digo aos meus amigos que, se eles gostam de se preocupar, não vou estragar a surpresa”.
Promessa de defesa
As Forças Armadas israelenses buscam tranquilizar a população, garantindo que o país estará bem protegido, seja por meio de defesas antimísseis ou pelos numerosos abrigos antiaéreos. Na guerra de junho passado, poucas pessoas que se abrigaram em locais estratégicos sofreram ferimentos. Em um dos casos, um prédio de vários andares foi devastado, com exceção dos abrigos reforçados em cada andar.
“Independentemente de termos interceptores suficientes ou não”, disse a capitã Adi Stoler, porta-voz das Forças Armadas de Israel, “uma coisa com certeza os manterá seguros: os abrigos.”
Em um novo conflito, a pressão recairá sobre as forças americanas e israelenses para repetir o sucesso de Israel em 2025, quando sua força aérea destruiu grande parte do armamento de longo alcance do Irã em solo, logo no início do conflito.
“Se presenciarmos uma supremacia aérea como a que vimos em junho, a vida útil de qualquer lançador em operação será muito curta”, afirmou Inbar.
Táticas iranianas
O Irã adaptou-se à medida que o conflito de junho de 2025 se desenrolava, lançando mísseis de mais a leste e encontrando brechas nas defesas de Israel disparando salvas menores com mais frequência e a qualquer hora do dia ou da noite, exaurindo e amedrontando a população e testando sua resiliência.
Teerã também pareceu mudar seu foco, com mísseis atingindo repetidamente alguns centros populacionais, como Beersheva, de acordo com o relatório da JINSA. Isso levou Israel a usar ainda mais interceptores para proteger seus civis.
“Vários mísseis por dia podem causar muitos danos econômicos”, disse Inbar. “Muitas pessoas terão medo de sair de casa e a maioria dos locais de trabalho não estará aberta. Esta é uma situação que eu não quero ver acontecer.” (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

