Com foco em Trump, Ibovespa sobe 3,24%, perto dos 182 mil pontos

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Nas idas e vindas em torno da percepção de risco sobre o Oriente Médio, a promessa do presidente do EUA, Donald Trump, de uma trégua de cinco dias no conflito com o Irã – ao menos no que diz respeito a ataques à infraestrutura de energia – resultou em descompressão nos preços do petróleo nesta abertura de semana, com queda nos juros futuros e avanço para as bolsas. Na B3, o Ibovespa subiu 3,24%, nesta segunda-feira, aos 181.931,93 pontos, tendo alcançado no melhor momento do dia os 182.973,41 pontos. Em relação ao nível de abertura (176.220,82), correspondente à mínima da sessão, o Ibovespa reconquistou nesta segunda 5,7 mil pontos.

No mês, o índice da B3 ainda recua 3,63%, moderando o ganho do ano a 12,91%. O giro financeiro desta segunda-feira ficou em R$ 32,4 bilhões. Em Nova York, Dow Jones +1,38%, S&P 500 +1,15% e Nasdaq +1,38%. Refletindo também a relativa suavização da percepção de risco, o dólar caiu nesta segunda 1,29%, a R$ 5,2407. Em Londres, o Brent para junho fechou em baixa de 9,86% (US$ 10,49), a US$ 95,92.

Com petróleo Brent abaixo do limiar de US$ 100 por barril em Londres, nos contratos futuros mais líquidos, as ações de Petrobras não acompanhavam o ritmo das demais blue chips na B3, mas ganharam ímpeto do meio para o fim da tarde, com a ON em alta de 0,68% e a PN, de 0,79% no fechamento. No mês e no ano, a ON e a PN da estatal avançam com intensidade: a primeira com ganhos de 18,61% e 55,60%, pela ordem, e a segunda, de 17,04% e 49,35%. Entre as demais ações de primeira linha, Vale PN subiu nesta segunda 2,57% e o avanço entre os bancos chegou a 3,98% (Bradesco ON) e a 4,72% (BTG Unit) no encerramento.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, MBRF (+14,34%), Localiza (+10,43%) e Vamos (+9,72%). No lado oposto, apenas uma ação: Prio (-2,84%). Em porcentual, o ganho do Ibovespa nesta segunda-feira foi o maior desde 21 de janeiro (+3,33%). Foi também o melhor nível de fechamento desde 11 de março, então perto dos 184 mil pontos.

Apesar do sinal bem recebido pelo mercado na postagem de Trump, outras notícias do dia contradizem a percepção de que o conflito esteja caminhando para uma distensão imediata. Israel, por exemplo, decidiu restringir as operações no Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, reduzindo o fluxo para um voo por hora, em meio à escalada de tensões com o Irã.

Em outro desdobramento, o jornal The New York Times reporta que altos oficiais militares dos EUA consideram a possível implantação de uma brigada de combate da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército, cerca de 3 mil soldados, e alguns elementos da equipe de comando da divisão para apoiar as operações militares no Irã, disseram fontes.

Também nesta segunda-feira, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, enfatizou que não houve negociações de Teerã com os EUA e que as “notícias falsas” servem para manipular os mercados financeiros e de petróleo – e “escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”.

“Foi um dia curioso para dizer o mínimo”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, referindo-se às abruptas mudanças de humor com relação ao conflito no Oriente Médio, que tem resultado em muita volatilidade, em especial, nos preços do petróleo. “O mercado buscou hoje inverter o mau humor das últimas semanas”, acrescenta o analista, destacando o comportamento “errático” da comunicação da Casa Branca e os desmentidos feitos pelo governo do Irã.

“Ninguém sabe muito bem os objetivos, há muita falta de clareza, ainda, no momento. O quão sustável será essa recuperação do mercado – se é um voo de galinha ou não – saberemos nos próximos dias.”

“Tinha ocorrido uma escalada significativa da tensão no fim de semana, especialmente com relação a sinais dos EUA sobre ataques à infraestrutura de energia, o que levou a uma reação retórica do Irã. Tudo isso mudou com o novo anúncio do Trump, agora no sentido de negociação. Ninguém sabe se haverá mesmo cessar-fogo. Há uma mudança de 180 graus em relação ao que se presumia no fim de semana”, diz Nicolas Merola, analista da EQI Research.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.