Commodities, escala 6×1 e disputa eleitoral apertada jogam Ibovespa para baixo

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Na largada, o Ibovespa perdeu quase 3.400 pontos. O índice abriu a quinta-feira, 15, na máxima de 206.486,82 pontos e logo renovou a mínima do dia, a 203.110,43 pontos (-1,64%), com queda generalizada. A aversão ao risco reflete preocupações com inflação no Brasil e nos Estados Unidos além da disputa eleitoral. No entanto, há pouco, o principal indicador da B3 reduziu excessos, em meio à melhora das bolsas em Nova York.

“Imagino que boa parte da abertura da curva de juros e da queda do Ibovespa mais cedo deve-se a essa disputa mais acirrada para a Presidência”, diz Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office.

Entre os destaques da agenda, nos EUA, o indicador PPI, que mede os preços no atacado, acima do previsto sustenta apostas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a partir de dezembro. No Brasil, o mercado também repercute a aprovação do fim da escala 6×1, vista como fator adicional de incerteza para custos do setor produtivo e potencial repasse ao consumidor.

“Não deve ser um dia tão positivo. É quase certa uma alta de juros em dezembro nos EUA, e pode ser que tenhamos uma taxa elevada lá por mais tempo”, diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. No Brasil, além da aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 elevar riscos inflacionários, a disputa “apertadíssima” da eleição presidencial no segundo turno reforça o ambiente defensivo, diz.

A queda do Ibovespa ainda reflete o recuo das commodities e da maioria dos índices de ações do Ocidente. Além disso, pesquisas eleitorais estão no radar.

No calendário, investidores acompanham as sondagens Indexa e Datafolha de intenção de voto, além dos dados de vendas no varejo no Brasil e nos Estados Unidos e do PPI, que podem balizar expectativas para juros.

Uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a PEC que acaba com a escala 6×1 foi aprovada ontem por 75 votos a 1. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, votou a favor. Se for eleito, o senador já indicou a aliados que pretende apoiar a revisão da PEC.

As primeiras pesquisas divulgadas após o primeiro turno – Quaest e Indexa/Broadcast – mostram Lula e Flávio empatados tecnicamente no segundo turno.

Na Quaest, Flávio aparece com 46% das intenções de voto, ante 44% de Lula. Considerando apenas os votos válidos, o candidato do PL tem 51% e Lula soma 49%. Já a Indexa/Broadcast traz Flávio com 44% e Lula, 42%. Nos votos válidos, os porcentuais são de 51% e 49%, respectivamente.

Também informada hoje, a pesquisa Palver traz Flávio com 50% das intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial, ante 49% de Lula.

Divulgadas nesta manhã, as vendas do varejo em agosto do Brasil viram com resultado mais fraco do que o esperado, o corrobora projeções de nova queda da Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) em novembro. Nos EUA, as vendas cresceram mais do que o esperado em setembro.

“Inflação e dados de atividade mais fortes nos Estados Unidos. O mercado se posiciona para altas de juros, embora o Fed não parece ter pressa. Dezembro parece mais precificada uma alta”, diz Gonçalves, da Ghia Multi Family Office.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,18%, aos 206.505,98 pontos. No exterior, o petróleo Brent cedia 0,7%, perto de US$ 105 o barril, às 11h35. Em Dalian, o minério de ferro fechou em baixa de 0,44%. O Ibovespa caía 0,18%, aos 206.139,37 pontos, perto da máxima de abertura em 206.486,82 pontos.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.