Como funciona o contraceptivo de longa duração oferecido no SUS e na rede particular?
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a ampliação da cobertura obrigatória do implante contraceptivo hormonal de etonogestrel. O benefício era restrito a mulheres a partir dos 18 anos. Com a nova medida, adolescentes de 15 a 17 anos que possuem planos de saúde privados também passam a ter direito à cobertura do dispositivo. A nova regra entra em vigor em 1º de julho.
O implante contraceptivo hormonal, mais conhecido como Implanon, tem duração de três anos. O hormônio liberado pelo dispositivo atinge níveis eficazes cerca de 90 minutos após a inserção.
Segundo a ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), se for colocado no primeiro dia da menstruação, a proteção contra a gravidez é imediata. Caso a mulher já esteja em período de ovulação, recomenda-se o uso de preservativo nos primeiros 15 dias, como medida de segurança.
De acordo com a especialista, a taxa de falha dos métodos mais comuns é a seguinte:
– Implanon: taxa de falha de 0,05 gravidez a cada 100 mulheres por ano, ou seja, aproximadamente 1 gravidez para cada 2.000 mulheres em um ano, tanto no uso perfeito quanto no uso típico.
– DIUs hormonais: taxa de falha entre 0,2 e 0,5 gravidez a cada 100 mulheres por ano, o que equivale a aproximadamente 1 gravidez para cada 500 a 200 mulheres em um ano.
– Pílula anticoncepcional: taxa de falha de 0,3 gravidez a cada 100 mulheres por ano no uso perfeito, ou seja, 1 gravidez para cada 333 mulheres em um ano. No uso típico, porém, a taxa pode chegar a 9 gravidezes a cada 100 mulheres por ano, em razão de esquecimentos, atrasos e outros erros de uso.
Oferta de Implanon no SUS
O Implanon foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2021 para grupos específicos de mulheres, como aquelas em situação de vulnerabilidade ou com condições clínicas determinadas. Em 2025, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da oferta do método na rede pública com o objetivo de melhorar o acesso das mulheres a um contraceptivo de longa duração e alta eficácia na prevenção da gravidez não planejada. Hoje, meninas e mulheres de 14 a 49 anos podem aderir ao método no SUS.
Desde a ampliação da oferta do método, o SUS já realizou mais de 200 mil inserções do implante contraceptivo, segundo dados do Ministério da Saúde.
Para ter acesso ao dispositivo na rede pública, é necessário procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). De acordo com a pasta, adolescentes menores de idade não precisam de autorização nem da presença de um responsável legal para a inserção. Nesses casos, os profissionais de saúde devem considerar a avaliação clínica e a capacidade de compreensão da adolescente.
Como o contraceptivo funciona?
O implante hormonal de etonogestrel pertence à classe dos progestágenos e atua inibindo a produção do hormônio LH, essencial para a ocorrência da ovulação. “Além de impedir a ovulação, o implante provoca o espessamento do muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides para o útero, e suprime o endométrio. Por isso, a menstruação pode ficar suspensa ou irregular”, informa Ilza.
Segundo a médica, a inserção do Implanon é feita com anestesia local e o dispositivo é colocado sob a pele do braço. O procedimento dura, em média, cinco minutos.
“Embora seja um procedimento simples, ele é seguro quando realizado por profissional capacitado. Toda tecnologia tem complicações quando manipulada por pessoas inábeis. Quando implantado no local correto, o dispositivo não migra pelo corpo”, destaca.
Para a especialista, a ampliação da cobertura pelos planos é uma boa notícia, já que o implante é um importante recurso de prevenção. “É mais que seguro, é uma das ferramentas-chave para oferecer contracepção efetiva e evitar gravidez não planejada em um grupo onde ela traria consequências muito importantes por toda a vida”, comenta Ilza.
A especialista ressalta que algumas alterações podem ocorrer nos primeiros meses de uso, especialmente entre as mais jovens, mas acrescenta que elas tendem a ser transitórias. “Nessa fase, a acne pode ser um problema maior, e costuma acontecer mais frequentemente no início de uso do Implanon”, exemplifica Ilza. No entanto, o quadro pode ser tratado.
Além disso, a médica aponta a necessidade de um bom aconselhamento sobre as mudanças no padrão menstrual. “Jovens toleram menos essas mudanças, mas devemos reforçar que são mais frequentes no início do uso, e que mais de 80% delas ficam bem com o passar do tempo”, tranquiliza.
