Competitividade da China intensifica desafios de crescimento do PIB da UE, diz Fitch
A balança comercial superavitária contribuiu de forma positiva para o crescimento do PIB na União Europeia, mas esse impulso vem perdendo força nas últimas décadas. Segundo novo relatório, a Fitch Ratings avalia que, entre 2026 e 2028, o saldo externo deve passar a comprometer a atividade, devido à competição cada vez mais intensa da China no mercado europeu e em países terceiros.
Pela primeira vez em 30 anos de dados, o superávit comercial da China com a União Europeia superou o registrado com os Estados Unidos. O superávit global chinês também aumentou e chegou a US$ 1,2 trilhão, o equivalente a 0,9% do PIB mundial.
A ameaça crescente da China reflete, em parte, sua vantagem de preços. A taxa de câmbio bilateral em relação à zona do euro se depreciou em cerca de um quinto desde 2019, num contexto em que os preços ao produtor ficaram estáveis ou em queda no país, enquanto o choque de energia de 2022 elevou os custos na Europa.
Segundo a Fitch, porém, o avanço chinês também se explica por ganhos relevantes de competitividade e não só em razão do preço de suas mercadorias. Exportadores do país migraram rapidamente para novas categorias, como tecnologia verde e bens ligados à inteligência artificial (IA), ampliando a sobreposição com a pauta europeia e reduzindo, ou até eliminando, a diferença de qualidade frente aos concorrentes do bloco. Ao mesmo tempo, a China tornou-se menos dependente de importações vindas da Europa e do restante do mundo, segundo a Fitch.
Desde a pandemia, o crescimento chinês também passou a depender mais da demanda externa, com desaceleração do consumo doméstico e do investimento.
Como é pouco provável que esses vetores se revertam no curto prazo, autoridades europeias têm mostrado maior preocupação com riscos à base industrial e sinalizado disposição crescente para adotar medidas comerciais. Ainda assim, a Fitch avalia que esse movimento dificilmente alterará de forma substantiva os padrões de comércio no curto e no médio prazos. Mantidas as demais condições, a zona do euro tende a depender mais da demanda interna para sustentar o crescimento do que no passado.
