Conmebol perde R$ 76 milhões com a crise do Ueno Bank, que abala finanças do futebol paraguaio

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A recente intervenção e colapso do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do Paraguai, abalou a economia do país e impactou diretamente a Conmebol. A entidade máxima do futebol sul-americano, sediada em Luque, na região metropolitana de Assunção, teve cerca de US$ 14 milhões (aproximadamente R$ 76 milhões) comprometidos.

Ao Estadão, a Conmebol garantiu que o valor representa uma pequena parcela das finanças da entidade, cuja receita em 2025 foi aproximadamente de R$ 600 milhões. Ou seja, apenas 2,3% da cifra alcançada na temporada anterior. Neste ano, a confederação planejou um orçamento recorde de distribuição de prêmios, estimando gastar cerca de US$ 312 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) somando todas as suas competições de clubes, como a Libertadores e Copa sul-americana.

Nos últimos anos, o Ueno Bank utilizou o futebol como vitrine para expandir sua marca. A instituição mantinha um contrato de patrocínio de US$ 12 milhões (cerca de R$ 66 milhões) com a Associação Paraguaia de Futebol (APF), que previa a exposição da marca nos uniformes da seleção e o naming rights da liga paraguaia de futebol.

Segundo a rede de televisão paraguaia ABC, o Olimpia mantinha um contrato de patrocínio master e de naming rights do estádio Defensores del Chaco válido até 2032. O tricampeão da Libertadores encerrou oficialmente o acordo, avaliado em cerca de US$ 2 milhões por ano, e já disputou partidas com a marca de outro patrocinador no uniforme após a crise.

Por sua vez, o Cerro Porteño tinha contrato com o banco até 2030, vinculado ao abatimento de uma dívida institucional de US$ 24 milhões. O clube cobriu a marca da instituição nos uniformes e acionou seu departamento jurídico para formalizar o encerramento da parceria.

Ainda de acordo com a imprensa paraguaia, a situação financeira afetou o lado pessoal dos atletas e comissões técnicas. O banco funcionava como a instituição padrão para a folha de pagamento dos clubes paraguaios e da própria APF, deixando jogadores sem acesso aos seus salários e prêmios acumulados.

O cenário gerou revolta e levou os atletas da seleção nacional a assinarem um manifesto público cobrando medidas urgentes das autoridades judiciais. “O povo paraguaio é solidário, honesto e trabalhador”, compartilhou Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção paraguaia. “Quanto à nossa situação pessoal, dizemos com clareza: cada um de nós avaliará individualmente as medidas legais cabíveis caso sejamos afetados por esses acontecimentos. Não vamos fazer vista grossa”, seguiu.

“Ser paraguaio não é apenas vestir a camisa. É não abandonar seu povo quando ele mais precisa de você. Força a todas as famílias afetadas. Vocês não estão sozinhos. Estamos com vocês. O Paraguai já superou muitas dificuldades. E desta vez também vamos superar, unidos, com trabalho, dignidade e de cabeça erguida”, continuou.

Com cerca de três milhões de clientes, o Ueno Bank é o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, mas tornou-se alvo de investigações por problemas financeiros e recém apresentou índice de solvência, que mede a capacidade de pagamento, para menos da metade do mínimo exigido.

O banco administrava cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,64 bilhões) em recursos públicos do Paraguai. Entre seus clientes estavam, por exemplo, aposentados que recebiam benefícios do governo por meio da instituição.

A repercussão do caso levou à renúncia de Carlos Carvallo, que presidiu o Ueno até 2023 e ocupava o comando do Banco Central. Ele deixou o cargo a pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña, que também renunciou. O Ministério Público pediu abertura de investigação criminal acerca do caso e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à entidade.

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Estadão

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