Corinthians abre registro de candidaturas com eleição sob risco, diz presidente do Conselho
O Corinthians abriu nesta quinta-feira, 1º, o registro de candidaturas para as eleições presidenciais no clube. Quem deseja participar do pleito tem até o dia 15 de outubro para formalizar a inscrição. Contudo, existe a possibilidade de a votação sequer acontecer por causa do risco de intervenção judicial. É o que afirma o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.
Uma ação que tramita na 13ª Vara Cível de São Paulo pede o afastamento da diretoria e a nomeação de um interventor temporário para administrar o Corinthians e convocar novas eleições, sob a alegação de graves irregularidades financeiras e administrativas na atual gestão. Apesar de a Justiça negar a liminar de urgência o Ministério Público se manifestar contra a intervenção imediata, o processo segue em andamento regular, mantendo o impasse jurídico enquanto o clube busca dar prosseguimento ao calendário eleitoral.
Em um momento em que o Corinthians atravessa grave crise financeira, com uma dívida de R$ 2,8 bilhões, e administrativa, Tuma Jr. acredita ser necessário um aceno ao MP como forma de boa fé e manter a estabilidade no clube. “Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do (presidente da diretoria) Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público, porque é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente”, disse o chefe do Conselho Deliberativo, em um encontro com jornalistas nesta quarta-feira.
O dirigente afirma que o presidente deveria propor ao MP a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com alterações defendidas pelos promotores responsáveis pelo inquérito da intervenção, Luiz Ambra Neto e André Paschoal). “Acho que esse era o momento de falar: ‘Vamos passar a régua aqui e tal, vota o estatuto, se compromete com as coisas que aqueles que querem intervenção porque não acreditam mais no sistema e nos poderes internos’.”
Ao ser questionado quem seria o responsável pelo clube em caso de uma intervenção do MP, o dirigente disse não saber. “Depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho. Difícil uma intervenção que abranja todos os órgãos, porque, como é uma associação, o interventor pode eventualmente ter poderes para paralisar qualquer deliberação”, disse.
“É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Mas acho que vai haver intervenção quando o Conselho extinguir o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor”, afirmou Tuma Jr.
Para o dirigente, um dos indicativos da fragilidade administrativa do Corinthians atualmente foi a suspensão da Assembleia-Geral de sócios, que seria realizada em 19 de setembro para definir mudanças importantes em pontos do estatuto, como a abertura de voto em eleições do clube para membros do programa Fiel Torcedor (sócio-torcedor) e a definição da regra para a interinidade em casos de vacância e transição, o que poderia permitir que o presidente Osmar Stábile dispute a reeleição neste ano.
A Justiça de São Paulo, contudo, determinou, por meio de liminar, a suspensão da assembleia. A decisão atendeu a um recurso apresentado por Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, conselheiros vitalícios que alegam que a votação dos destaques feria o próprio regimento do clube, uma vez que a proposta como um todo já havia sido rejeitada anteriormente.
“Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino (promotor do MP responsável por investigar o Corinthians). Foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo”, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo, que aproveitou para defender sua gestão à frente do órgão.
“Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Isso demonstra que eu estou certo. A gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto. Se a gente tivesse avançado nas coisas que estávamos procurando, não estaríamos na situação em que estamos hoje”, afirma.
A votação do pleito presidencial do Corinthians está agendada para o dia 28 de novembro no Parque São Jorge. Até o momento, cinco nomes já se lançaram como pré-candidatos para disputar a presidência do clube: Sérgio Janikian, André Negão, Rozallah Santoro, André Castro e José Augusto Mendes. Ainda não está decidido ser Osmar Stábile poderá ou não concorrer à reeleição.