Demanda por petróleo se recupera, mas escalada EUA-Irã aumenta incerteza no mercado, afirma AIE

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A demanda global por petróleo está em recuperação após meses de interrupções no Oriente Médio, mas a nova escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã aumentou a incerteza sobre as perspectivas, justamente quando o mercado se preparava para uma nova onda de oferta no próximo ano, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) em relatório mensal divulgado nesta sexta-feira, 10.

Embora o consumo deva recuar 1 milhão de barris por dia neste ano, o ritmo da contração vem diminuindo rapidamente. A demanda caiu 4,8 milhões de barris por dia (bpd) no segundo trimestre e deve recuar 1,7 milhão bpd no terceiro, antes de voltar a crescer nos três meses finais do ano, com alta de 1,2 milhão bpd.

A retomada marcaria um ponto de virada para um mercado que passou grande parte do ano sob o temor de que a guerra retirasse milhões de bpd da oferta global. A AIE alertou, no entanto, que a escalada mais recente pode frustrar a expectativa de que o mercado entre em superávit no próximo ano.

O órgão, sediado em Paris e que reúne países ocidentais e seus aliados, projeta atualmente que a demanda aumente 1,9 milhão bpd em 2027, enquanto a oferta global deve crescer cerca de 7,5 milhões bpd.

“A projeção depende do pressuposto de que os fluxos de petroleiros pelo Estreito de Ormuz se recuperarão gradualmente, permitindo que produtores retomem campos e que refinarias no Oriente Médio e em outras regiões voltem a embarcar derivados”, ressaltou a agência.

EUA e Irã trocaram uma série de ataques nesta semana, na escalada mais intensa desde o acordo de paz de 60 dias fechado em meados de junho. O presidente Donald Trump disse considerar o cessar-fogo encerrado e revogou uma licença que permitia ao Irã vender petróleo no mercado aberto.

Com isso, o tráfego pelo Estreito de Ormuz – rota que normalmente concentra cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural – voltou a ficar próximo da paralisação, segundo a AIE.

Os preços do petróleo chegaram a disparar e depois devolveram parte dos ganhos na quinta-feira, 9, com traders adotando uma postura de cautela.

No fim de junho, o fluxo de petróleo por Ormuz havia se recuperado com força, superando 70% dos níveis pré-guerra. Apesar disso, operadores de petroleiros seguem enfrentando riscos elevados de segurança, seguro e operação, enquanto minas ainda não foram totalmente removidas das rotas de navegação e as discussões sobre a governança de longo prazo do Estreito continuam travadas.

“Grandes volumes de petróleo bruto do Golfo permanecem no mar à espera de compradores, enquanto o ritmo de restauração da oferta dependerá da retomada das refinarias regionais, de garantias contínuas de segurança para o trânsito de petroleiros e de uma possível retomada das compras chinesas, em especial de barris iranianos”, disse a AIE.

A oferta global aumentou 4,1 milhões de bpd em junho, para 98,8 milhões de bpd, após a retomada do tráfego de petroleiros. Mesmo assim, a produção mundial permaneceu cerca de 9,4 milhões de bpd abaixo dos níveis pré-guerra, evidenciando quanto da oferta ainda não voltou ao mercado.

A AIE estima que a oferta global caia 3,7 milhões bpd neste ano, antes de se recuperar em 2027. A Opep e seus aliados devem elevar a produção em 5,3 milhões de bpd no próximo ano, enquanto a produção fora do grupo deve crescer 2,2 milhões bpd.

Enquanto isso, os estoques globais de petróleo subiram em junho pela primeira vez em quatro meses, já que o aumento do volume de petróleo bruto retido no mar mais do que compensou a queda dos estoques em terra. O petróleo no mar aumentou 117 milhões de barris com a retomada dos embarques rumo às refinarias, enquanto os estoques em terra caíram cerca de 96 milhões de barris, incluindo 44 milhões de barris de reservas governamentais em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo a AIE. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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